Basílio e Gregório, amigos na vida e na santidade


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A amizade de São Basílio Magno e São Gregório de Nazianzo é um testemunho inspirador do quanto a autêntica fraternidade entre cristãos é apoio e alimento eficaz para a santificação. Eles tinham a mesma idade e eram naturais da mesma região, mas o que de verdade os unia era o fato de olharem para a mesma direção: servir a Cristo e buscar a sabedoria e o conhecimento. O relato da amizade deles faz ecoar o que diz o salmo 100 (101): “Aos fiéis desta terra eu volto meus olhos; que eles estejam bem perto de mim! Aquele que vive fazendo o bem será meu ministro, será meu amigo”. É nesse sentido que Gregório afirmava que eles tanto se edificavam mutuamente a ponto de serem “um para o outro regra e o modelo para discernir o certo e o errado” (!).

Celebrar conjuntamente a memória desses dois homens católicos, no dia 02 de janeiro, é também celebrar a verdadeira amizade que edifica o ser humano e o leva para Deus. Por isso, diante de tantos textos de profundíssima doutrina escritos por eles, ambos bispos e doutores, a Igreja elegeu, no entanto, para sua oração oficial, um relato belíssimo da amizade deles, escrito por São Gregório, e o oferece como meditação na Liturgia das Horas.

Confira a seguir esse texto, uma relíquia do século IV:

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“Encontramo-nos em Atenas. Como o curso de um rio, que partindo da única fonte se divide em muitos braços, Basílio e eu nos tínhamos separado para buscar a sabedoria em diferentes regiões. Mas voltamos a nos reunir como se nos tivéssemos posto de acordo, sem dúvida porque Deus assim quis.

Nesta ocasião, eu não apenas admirava meu grande amigo Basílio vendo-lhe a seriedade de costumes e a maturidade e prudência de suas palavras, mas ainda tratava de persuadir a outros que não o conheciam tão bem a fazerem o mesmo. Logo começou a ser considerado por muitos que já conheciam sua reputação.

Que acontece então? Ele foi quase o único entre todos os que iam estudar em Atenas a ser dispensado da lei comum; e parecia ter alcançado maior estima do que comportava sua condição de novato. Este foi o prelúdio de nossa amizade, a centelha que fez surgir nossa intimidade; assim fomos tocados pelo amor mútuo.

Com o passar do tempo, confessamos um ao outro nosso desejo: a filosofia era o que almejávamos. Desde então éramos tudo um para o outro; morávamos juntos, fazíamos as refeições à mesma mesa, estávamos sempre de acordo aspirando aos mesmos ideais e cultivando cada dia mais estreita e firmemente nossa amizade.

Movia-nos igual desejo de obter o que há de mais invejável: A ciência; no entanto, não tínhamos inveja, mas valorizávamos a emulação. Ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro.

Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos. E embora não se deva dar crédito àqueles que dizem que tudo se encontra em todas as coisas, ao nosso caso podia se afirmar que de fato cada um se encontrava no outro e com o outro.

A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro regra e o modelo para discernir o certo e o errado.

Assim como cada pessoa tem um sobrenome recebido de seus pais ou adquirido de si próprio, isto é, por causa da atividade ou orientação de sua vida, para nós a maior atividade e o maior nome era sermos realmente cristãos e como tal reconhecidos”.


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