Creio na Comunhão dos Santos


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Por Padre Cléber E. S. Dias

Quero oferecer-lhes alguns textos para melhor celebrarmos a Solenidade de Todos os Santos.

“Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5, 48).

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. Se invocais como Pai aquele que, sem distinção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor durante o tempo da vossa peregrinação. Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós. Por ele tendes fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus. Em obediência à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração. Pois fostes regenerados não duma semente corruptível, mas pela palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna. Porque toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a flor, mas a palavra do Senhor permanece eternamente (Is 40,6s). Ora, esta palavra é a que vos foi anunciada pelo Evangelho.” (1 Pd 1, 15-24)

 “Os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que Cristo as dá, a fim de que […] obedecendo em tudo à vontade do Pai, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos.” (Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40).

Eu creio… nós cremos… na Comunhão dos Santos. Assim o professamos no Credo e, por isso, celebramos pedindo a intercessão de nossos irmãos e irmãs que já alcançaram a glória eterna e não estão, inermes, mas sim, atuantes no amor de Deus.

Convém que recordemos a partir do Compêndio do Catecismo:

a) O que significa a expressão comunhão dos santos?

“Indica, antes de mais, a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas (sancta): a fé, os sacramentos, em especial a Eucaristia, os carismas e os outros dons espirituais. Na raiz da comunhão está a caridade que «não procura o próprio interesse» (1Cor 13, 5), mas move o fiel «a colocar tudo em comum» (Act 4, 32), mesmo os próprios bens materiais ao serviço dos pobres.”

“Designa ainda a comunhão entre as pessoas santas (sancti), isto é, entre os que, pela graça, estão unidos a Cristo morto e ressuscitado. Alguns são peregrinos na terra; outros, que já partiram desta vida, estão a purificar-se, ajudados também pelas nossas orações; outros, enfim, gozam já da glória de Deus e intercedem por nós. Todos juntos formam, em Cristo, uma só família, a Igreja, para louvor e glória da Trindade.”

 (Compêndio do Catecismo, nº 194 e 195)

 b) Como os santos podem nos ajudar em nossa vida de oração?

“Os santos são modelos de oração e a eles pedimos para, junto da Santíssima Trindade, intercederem por nós e pelo mundo inteiro. A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história da Igreja, diversos tipos de espiritualidade, que ensinam a viver e a pôr em prática a oração.”

(Compêndio do Catecismo, nº 564).

Por último, quero deixar-lhes uma pequena lista de alguns santos que celebramos no mês de Novembro, dado que abrimos o mês com a Solenidade de Todos os Santos. O número à frente do nome do/a santo/a indica a data de sua memória. Obviamente que a lista não é exaustiva, são apenas alguns santos e santas que gostaria de destacar.

EstoVir_HomemCatoli_SaintsO intuito é que, conhecendo-os um pouco mais, possamos também, dentro de nossa realidade, seguir os passos daqueles que imitaram o Santo dos Santos, nosso Senhor Jesus Cristo:

3. São Martinho de Porres (1579-1639 Lima, Peru), o chamado Frei Vassoura ou Negrinho (Frayle Escoba, Negrito), Frei negro e humilde que servia a todos curando-os com ervas medicinais e com seus conselhos.

4. São Carlos Borromeu (1548-1584 Arona-Milão/Itália), Cardeal Arcebispo de Milão, homem de caridade valente que não só corrigiu os abusos do clero de sua época, auxiliou enormemente o Concílio de Trento como foi um pai para todos os atingidos pela peste, vendendo até mesmo suas roupas, seus bens pessoais e bens da Igreja para salvar os doentes. Dia de festa para as Irmãs Carlistas-Scalabrininas, pois Dom Scalabrini se espelhou na pessoa de S. Carlos Borromeu para criar a Congregação.

10. São Leão Magno, Papa de 440 a 461 governou a Igreja durante 21 anos com sabedoria, prudência, retidão e valentia. Defendeu o Ocidente da invasão dos Hunos liderados por Átila, Rei dos Hunos, chamado “O flagelo de Deus”; defendeu também contra as invasões dos Bárbaros liderados por Genserico. Durante o IV Concílio de Calcedônia, contra as heresias eutiquianas e donatistas, definiu a doutrina das duas naturezas de Cristo na unidade de uma só pessoa (Jesus têm a natureza humana e a natureza divina e é uma única pessoa). Os 500 bispos renidos no Concílio proclamaram unânimes: “Pedro falou pela boca de Leão!” Foi aclamado como Doutor da Igreja e Magno (o Maior Doutor da Igreja).

11. São Martinho de Tours (316/Sabaria(Panônia)-397/Condate(França). Militar convertido à é cristã, Martinho torna-se mais tarde Bispo de Tours onde exerce incansavelmente a caridade, funda mosteiros e por sua vida de santidade e milagres atrai e converte a milhares que viviam no paganismo ou viviam de modo débil como cristãos. Aos 81 anos de idade, já sem forças, Martinho percebeu que ainda o povo de Deus necessitava dele e diz: “Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade”.

15. Santo Alberto Magno (1206-1280 Colônia/ Alemanha) chamado o Doutor Universal, eminente filósofo e Teólogo, S. Alberto era Doutor em Física, Química, Astronomia, Meteorologia, Mineralogia, Zoologia, Botânica, Agricultura, Navegação, Tecelagem, Filosofia e Teologia. Escreveu inúmeras obras e viveu como mestre de dezenas de santos e doutores como S. Tomás de Aquino. Lecionou na França, Alemanha e na Itália, suas aulas eram tão concorridas que ministrava o ensino em praça pública para caber o número de alunos que tinha. Diversas vezes foi consultor do Papa para temas teológicos e para preparar o IIº Concílio de Lyon. Ao terminar sua vida acadêmica e sendo nomeado Cardeal pelo Papa Urbano IV f oi encontrado no convento dedicado às tarefas mais simples como a limpeza e a lavanderia.

São Roque González, Santo Afonso Rodriguez e São João del Castillo, Presbíteros Jesuítas e Mártires.

São Roque González, Santo Afonso Rodriguez e São João del Castillo, Presbíteros Jesuítas e Mártires.

19. São Roque Gonzáles, S. Afonso Rodrigues e João Del Castillo (Caaró -1628) primeiros mártires do Rio Grande do Sul foram mortos por ódio a fé cristã. Os três santos eram jesuítas espanhóis que vieram para ajudar nas Reduções Indígenas. Doaram-se totalmente na defesa e amor aos índios protegendo-os dos brancos e de outras tribos inimigas. Alguns chefes indígenas descontentes com a pregação do Padre Roque Gonzáles porque condenava seus vícios, reuniram seus colegas e chacinaram à golpes de lança e machado os três padres. Segundo o depoimento de 53 testemunhas, do coração do Pe. Roque Gonzáles, arrancando de seu peito pelos índios enfurecidos, saía uma voz que dizia: “Matastes a quem tanto vos amava e queria. Matastes, porém, só o meu corpo, porque minha alma está no Céu!” Os índios, ao ouvirem tal frase, lançaram o coração às chamas que não consumiram o coração amoroso do Pe. Roque e até hoje encontra-se intacto.

22. Santa Cecília (Roma, entre os séculos IV e V): Padroeira dos músicos e do Canto Sacro, Cecília escolheu o estado de virgindade para servir o Senhor, embora tenha sido obrigada a casar com o pagão Valeriano. Cecília conta de seu voto a Valeriano e diz-lhe que seu santo Anjo da Guarda zela por sua castidade e pureza e que para vê-lo seu esposo devia converter-se. Valeriano e seu irmão Tibúrcio convertem-se e junto com Cecília são denunciados às autoridades que os mandam matar por serem cristãos. Após sua conversão Valeriano afirma que vê o Anjo da Guarda de Cecília e que os dois juntos cantam louvores a Deus. No ano de 1559 o corpo de Cecília é exumado para dar-lhe nova sepultura e é encontrado incorrupto e está até hoje preservado na Basílica dedicada a ela em Roma.

25. Santa Catarina de Alexandria (305 -Alexandria/Egito). Catarina era uma jovem cristã que recebeu o dom da sabedoria e por sua vida e pregação convertia muitas pessoas a Deus. Filha do Rei de Alexandria, Santa Catarina havia prometido viver no estado virginal a Deus. O Imperador Maximino ofereceu-se divorciar-se para casar com Catarina desde que ela adorasse com ele os deuses egípcios e romanos e abandonasse a fé em Cristo. O Imperador convoca todos os sábios e filósofos do Egito para debater com Catarina. Após vencê-los todos acaba por convertê-los à fé cristã. Catarina recusa a oferta de casamento do Imperador e é condenada a sofrer o martírio em uma roda dentada com lâminas. Tão logo a amarram na roda para ser dilacerada o objeto de tortura se desmonta. Irritado o Imperador coordena ele próprio as torturas e a degolação de Catarina. Uma antiga tradição afirmava que os carrascos e o imperador foram mais tarde buscar o corpo de Catarina e as testemunhas afirmavam que seus despojos foram levados pelos anjos ao Monte Sinai. Somente no século VIII monges encontram o corpo de Catarina, intacto e constroem aí o Grande Mosteiro de Santa Catarina, lugar até hoje de peregrinação de milhares de cristãos pelas graças recebidas. Santa Catarina é padroeira dos filósofos.

26. São Leonardo de Porto Mauricio (1676-1751 Impéria/Itália): Grande pregador das Missões Populares, teve o mérito de rezar a primeira Via-Sacra no Coliseu de Roma, graças a esta escolha fez com que o Coliseu não fosse mais destruído (as pedras e mármores eram roubados para outras construções) pois afirmava que aquele lugar era santo por ter sido embebido do sangue dos primeiros mártires. S. Leonardo foi o grande divulgador da devoção à Imaculada Conceição de Maria e deixou uma profecia na qual diz que mais tarde um Papa iria convocar um Concílio e Definir a Imaculada Conceição de Maria, o que se deu no ano de 1854. Propagador da devoção das “Três Ave-Marias”. Autor do célebre livro: “As excelências da Santa Missa”.

30. Santo André Apóstolo: O primeiro discípulo de Jesus. Era irmão de S. Pedro e foi ele quem apresentou Pedro a Jesus. Ao conhecer Jesus André se alegra e não guarda alegria para si, mas afirma a Pedro: “Encontramos o Messias”. Assim, tornou-se, também, o primeiro dos apóstolos a recrutar novos discípulos para o Senhor. Aparece no episódio da multiplicação dos pães: depois da resposta de Filipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes. André participou da vida pública de Jesus, estava presente na última ceia, viu o Cristo Ressuscitado, testemunhou a Ascensão e recebeu o primeiro Pentecostes. Ajudou a sedimentar a Igreja de Cristo a partir da Palestina nas localidades e regiões dos Bálcãs. Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente, na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã de Patras, na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi lá, também, que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local. S. André não se intimidou à autoridade do governador, convidando-o a reconhecer em Jesus um juiz acima dele. Mais ainda, clamou que os deuses pagãos não passavam de demônios. Egéas não hesitou e condenou-o à crucificação. Para espanto dos carrascos, aceitou com alegria a sentença, afirmando que, se temesse o martírio, não estaria “pregando a grandeza da cruz, onde morreu Jesus”.


Sobre

Mineiro, filho de São José, que me acolheu em sua 'carpintaria' em Bagé/RS para ser instruído e guiado por seu servo, o Padre Cléber Eduardo.


'Creio na Comunhão dos Santos' possui 1 comentário

  1. 5 de novembro de 2016 @ 22:58 Jorge

    Confesso q foi a foto das crianças q me atraiu kkkkk

    Responder


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