Crescendo na Santa Pureza


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O Papa João Paulo II, na homilia durante uma viagem pastoral a Sandomierz, Polônia em 1999, perguntou retoricamente o que significa a frase pureza de coração. Ele respondeu:

“Neste ponto tocamos sobre a própria essência do homem que, pela virtude da graça da redenção realizada por Cristo, recuperou a harmonia interior perdida no Paraíso por causa do pecado. Ter um coração puro significa ser uma pessoa nova, restauração da vida em comunhão com Deus e com toda a criação, que pelo amor redentor de Cristo trouxe de volta aquela comunhão que é o nosso destino original.”

A harmonia interna que Cristo venceu para os homens é direcionada diante da comunhão com Deus, o destino original da humanidade, e aperfeiçoado pela comunhão.. Como o Papa passou a explicar, é pela união de si mesmo com o Cristo, particularmente nos sacramentos, que o homem experimente o triunfo da graça nas faculdades da natureza: sua mente é iluminada, seu coração é purificado, e sua liberdade é renovada. Em nosso intelecto, a aridez e escuridão deixadas pela queda (pecado) são purificadas pelo dom da fé, então neste momento o cristão compartilha do pensamento de Cristo (Carta aos Filipenses 2, 15). Em nosso desejo de graça, triunfa através da liberdade de amor, para o ponto que rende a pessoa a fazer a vontade de Cristo inteiramente por sua própria vontade dizendo sim ao seu chamado pessoal. Em nossos corpos a graça triunfa pela pureza santa, a qual Deus mantém em primeiro lugar de todos os nossos amores. Toda a nossa felicidade na Terra vem da graça, e a graça nos dá a felicidade destas três formas: o dom da fé, o dom da vocação, e o dom da pureza santa. Estes são os grandes dons que Deus pode dar ao homem na Terra.

Pureza Santa é a triunfante afirmação do amor. Isso dá força à alma, e, podemos dizer, um tipo de leveza à carne, então nossos corações podem se elevar a Deus em amor. É uma porção de esperança para os cristãos que vivem no mundo de hoje, pessoas que sabem que suas almas são mais valiosas, e que aspiram viver de uma maneira digna ao seu chamado. Isto leva a experimentar a verdade do ensinamento que nossos corpos são na verdade templos de Deus, nos quais ele habita através de seu amor.

A Pureza santa é um dom de Deus, mas ele não concede este dom além dos nossos sérios esforços. A nossa luta para viver a pureza santa nos prepara para receber o dom, e, de algum modo, constitui o dom como Deus quer dá-lo. Como é o caso quando Deus dá a Davi a vitória sobre os Filisteus: O esforço de Davi para guerrear foi abençoado por Deus com sucesso, desde que cheio de fé e desejo de fazer a vontade de Deus. Conosco, nossa luta para viver a pureza santa também nos mostra nossa fé em Deus, e nosso desejo de crer na nossa vocação Cristã. A Pureza é sempre uma vitória – a qual significa que é resultado de uma batalha.
Convicções

A luz da fé nos dá convicções claras que guiam nossa batalha para viver a pureza santa.

1 – É sempre possível conquistar

Santo Agostinho havia caído em desespero diante dos pecados contra a pureza, e tinha pensado que tal pureza era impossível, mais tarde, ele descobriu e ensinou que a votória aqui é sempre possível, uma vez que aprendemos como rezar, e como lutar. Esta experiência ecoa nos ensinamentos de São Paulo, quando ele disse aos Coríntios, “Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e saírdes dela.”(1 Cor 10:13). Comentando esta passagem, São Cirilo de Alexandria escreve, “Ele nos garante a habilidade de suportar. Mas fica a nosso critério como fazemos uso desta força dada a nós, seja de forma vigorosa ou débil. Não há dúvida que em toda tentação temos o poder de resistir, desde que façamos uso apropriado da força que nos foi concedida.”

A fé nos ensina que todas as coisas são possíveis para Deus: e isto inclui nossas vitórias sobre o pecado. Embora a pureza seja um dom da graça, podemos dizer com certeza que Deus sempre a dá àqueles que pedem este dom humildemente e se esforçam para coloca-lo em prática.

2 – Os meios espirituais são mais fortes que os humanos

Pelágio parecia não lutar contra nenhum dos pecados da carne, portanto ensinou que forneceu um bom exemplo a seguir, apenas esforço era necessário e ele negou que o sucesso era uma questão de graça. Isto, é claro, é uma heresia. O profresso espiritual é primeiramente um trabalho da graça, mesmo se este profresso, quenao se desenvolve, é desenvolvido ao longo do tempo que é desenvolvida a maturidade humana.
A negação da primazia da graça é rara, colocada cruamente pelos cristãos de hoje em dia, mas isto não significa que o Pelagianismo acabou. É uma tentação perene, geralmente acontece de uma forma excessiva da perspectiva humana sobre a vida espiritual de alguém.

Um modo moderno peculiar de ter excessiva perspectiva humana sobre a puresa é trata-la como um problema psicológico. É verdade que comportamentos irracionais são repetidos devido ao desejo podem ser chamados vícoos; isto será discutido melhor mais tarde. Continuando, o indivíduo deve cuidar para não fazer de todo problema um problema clínico. É necessário primeiramente ver que os meios espirituais – piedade, oração e intensa vida sacramental, amor por Deus e por Nossa Senhora – são mais fortes que os meios humanos, embora as virtudes sobrenaturais nos impelem a usarmos os meios humanos que pudermos.

3 – Orgulho e impureza passa de mão em mão – mas orgulho é pior

É fácil ver que o orgulho e impureza estão muito próximos. Os dois podem ser vistos em termos de um desejo egoísta por gratificação: um amor centrado em si mesmo leva à uma excessiva preocupação com a própria excelência, e ao mesmo tempo à buscar prazer as custas do amor por Deus e pelos outros.

Em contraste, a humildade dispõe uma pessoa a focar a atenção para fora de si, e também o faz hábil para responder mais generosamente aos pedidos da caridade. Este aprende a amar a Deus e aos outros de modo mais efetivo, descobre a alegria que a genuína doação aos outros traz consigo. A Santa Pureza é ao mesmo tempo um selo de autenticidade e segurança para quem se doa.
Sinceridade

Um dos efeitos do orgulho na alma é fazê-la tímida de reconhecer suas dificuldades; e, inversamente, uma das melhores maneiras para crescer na humildade é crescer na virtude da sinceridade. São Josémaria disse sobre o mal mudo, tomando frase dos evangelhos (Mc 9:16) para identificar que o mais difícil dos demônios de expulsar , é aquele cuja companhia deve ser evitada acima de tudo. Ele deixa sua presença conhecida por nosso silêncio. Pessoas afligidas pelo mal mudo não falam sobre seus problemas: elas podem pensar que se ignorarem o problema, ele irá embora. São Josemaria iria ainda mais longe ao dizer que se nós conquistarmos o mal mudo, nossa vitória é certa’; então quando as pessoas perguntavam a ele como crescer na pureza, ele sempre insistia: seja sincero!
Sinceridade consigo mesmo

Deve-se aprender a ser sincero consigo mesmo antes de poder ser sincero com Deus e com os outros. Dificuldades na pureza frequentemente possuem nelas um elemento de auto decepção. Por exemplo, uma pessoa pode “inocentemente” entrar numa situação associada com quedas anteriores, mesmo que a situação fosse evitável, e mesmo que a pessoa pudesse ter previsto de modo confiável que problemas futuros poderiam ocorrer ali. Estas situações, chamadas ocasiões de pecado, são facilmente discernidas se um indivíduo consegue ser sincero consigo mesmo. Por exemplo, alguém poderia se perguntar “Quando e onde haviam as quedas anteriores ocorrido?” Se o indivíduo for sincero, poderá frequentemente encontrar que há um tema comum, alguma situação evitável – esta é a ocasião de pecado.

Se uma pessoa é sincera consigo mesma, poderá também perceber sinais de aviso que as tentações estão ganhando força: isto pode trazer dificuldade ao trabalho; o indivíduo pode se sentir perturbado; pensar sobre as razões para entrar numa ocasião de pecado; tentar garantir privacidade ou isolamento; e assim por diante. A sinceridade consigo mesmo neste estágio já está a maior vitória, para quem sabe se preparar para a briga – por exemplo, colocar possíveis ocasiões de pecado cada vez mais distantes uma por vez – a vitória é mais certa.
Sinceridade com Deus e com os outros

Desde o começo da Igreja, os cristãos buscam a perfeição e acharam útil receber orientação espiritual de um padre, ou outra pessoa de confiança comprovada. Ter um guia espiritual é o caminho mais rápido para progredir na Pureza Santa, isso permite à pessoa viver totalmente a virtude da sinceridade. As dificuldades podem ser previstas; planos podem ser feitos com o conselho e as orações de outra pessoa para ajudar.

Esta ajuda é particularmente efetiva se é aprendido a fazer o uso da orientação espiritual no momento certo. Nunca é tarde para ser sincero, quanto mais cedo conseguir ser sincero, mais efetiva poderá ser a orientação espiritual. Se ocorrer uma queda, a confissão restaura a graça, o que não pode acontecer tão cedo. A confissão e a busca da orientação espiritual podem também ajudar um único lapso, ou queda a não se tornar uma repetição, e frequentemente mostrar como vencer esta luta.

O que significa viver uma completa sinceridade na direção espiritual? É bom ser completo, dentro das boas maneiras, sem necessariamente chegar nos detalhes. Algumas questões importantes são:

A queda foi sozinho? Num lugar isolado? A noite? Se isso envolve a internet, estava isando a internet sem filtro? Alguém começou a usar sem um propósito? Enquanto buscava entreterimento ? Em um local associado com quedas anteriores? Quão explícito era o material? Quando tempo foi gasto vendo isso? Isso levou a pecados posteriores? Qual era a qualidade da minha luta contra a tentação, e a que ponto a decisão de cometer uma impureza aconteceu?
Tentações

O que exatamente é uma tentação contra a pureza? Todos têm experimentado pensamentos sobre questões sexuais. Nós também temos todos ativamente engajados pensando sobre questões sexuais, lendo sobre elas – por exemplo, como está fazendo agora. Nenhum deste precisa constituir uma tentação de modo algum.

Uma tentação é um impulso para o pecado, no qual, algo apela para nosso desejo contrário ao nosso bem. O elemento necessário na tentação é o desejo. Se um pensamento que é bizarro ou explícito cruza nossas mentes, mas não apela a nossos desejos, ou se ao invés desperta desgosto ou ansiedade, não necessariamente constitui uma tentação. A ação seguida do desejo; tentações apelam para nosso desejo e assim nos move ao ato.

Ao tentar crescer na pureza santa, as pessoas frequentemente se focam na natureza dos pensamentos sexuais, ou imagens que os envolvem: seu conteúdo, frequência, quão vívidas elas são, e assim por diante. Isto pode ser inútil – particularmente na hora da tentação, quando é melhor não deixar que a atenção se fixe nestes pensamentos ou imagens. O que realmente importa é o estado de nossos desejos: com que frequência certos desejos nos envolvem, quão intensos são, quanto tempo duram – desde que isto nos levará à ação. Os pensamentos ou imagens que experimentamos, não necessariamente dizem algo sobre nós mesmos; o que é mais revelador que o âmago da pessoa, é o seu estado de desejo: quão inclinados estávamos para o ato, se fizemos algo para resistir à tentação, o que fizemos ao enfrentar uma tentação em particular, e assim por diante.

Esta é uma distinção importante desde que, conforme se cresce na virtude, os pensamentos sexuais aleatórios e as imagens continuam a ocorrer – mesmo em estado de perfeita virtude, mas elas se tornam progressivamente menos provocadoras(ainda podem provocar, particularmente quando envolve toque e visão). O apelo pelos impulsos diminui muito – pode-se dizer que estímulos impuros não mais “ressoam” na carne, pelo menos não como antes.
Esta é a distinção entre castidade sexual e santa pureza: antes, pensamentos e imagens sexuais causavam desejos fortes contra a reta razão, agora, não mais.

A Santa Pureza ultrapassa a Castidade

Castidade é a virtude na qual a vontade contém o impulso das paixões. É um estado de tensão que pode ser comparado a manter um leão numa coleira. Se alguém tem castidade heroica, a coleira se torna uma corrente de aço, a qual pode conter um leão mesmo quando ele está na sua mais terrível fúria.

O indivíduo deve se cuidar, no entanto, não pensar que castidade é a única forma de viver a virtude regulando as paixões, a qual pode se tornar ainda mais virtuosa simplesmente pelas correntes estarem se tornando mais e mais fortes. Na verdade, somos capazes de muito mais que isso. O objetivo final não é deixar o leão preso, mas domar o leão. Enquanto está preso, sua força é inútil para o seu dono – de fato, toda d força do mestre pode ser usada para trabalhar com as correntes.

Este estado de tensão, com suas energias divididas e perdidas, deve ser visto como meio termo. O objetivo é fazer o leão buscar sua própria harmonia com a sua força nativa total mostrada pelo mestre. As correntes não mais serão necessárias: os dois formam uma equipe. Este é o estado de pureza santa sobre o desejo sexual.

Este entendimento adequado da pureza santa é incomum na cultura atual. As pessoas tipicamente confundem pureza santa com castidade – isso como se tivessem esquecido que o leão pode ser domado. Costumam pensar sobre a pureza como um fardo, e veem o celibato como uma vida na qual se range os dentes e reprime os desejos. Muito desespero de viver a pureza, talvez sem mesmo conhece-la, e por esta razão muitos falham em alcançar a generosidade de ter alcançado cem por cento.

Se soubessem que a pureza santa é muito maior, mais acessível e menos pesada que a triste virtude que imaginavam.

A pureza santa é possível para todos. Não é o último passo que um santo alcança na Terra antes de ir para o céu, nem é reservada a poucos incomuns heróis. Este é o estado ordinário dos cristãos que vivem em resposta à sua fé e vocação. A pureza santa é um estado de paz – paz relativa, desde que não existe paz perfeita na Terra, para a alma que aqui pode perder o que conseguiu – mas permanecendo na paz. A alma casta está em uma guerra consigo mesma, e assim suas energias ficam em conflito e dispersadas. Na pureza santa, toda a força da alma é canalizada para o bem que busca. Por esta razão, a pureza é distante da falsa paz de passividade. Como uma serva da esperança, a pureza dispõe o indivídui a ações nobres e grandes ideais.

Crescer na pureza santa significa aprender a remodelar nossos próprios desejos até que nossos desejos estejam conforme a razão; e através da razão, para a fé; e através da fé, para Deus.
Vitória

“Para defender sua pureza, São Francisco de Assis rolou na neve, São Bento se jogou no espinheiro, São Bernardo mergulhou numa lagoa gelada… e você…, o que tem feito?”

“Me escreveu um médico apóstolo, “Todos nós sabemos por experiência própria que podemos ser castos vivendo vigiando, frequentando os sacramentos e eliminando os primeiros sinais de paixão sem deixar que o fogo se espalhe.”

São Josemaria Escrivá, Caminho nº 143, 124.

A segunda citação esclarece a primeira, os santos sabem como eliminar os primeiros sinais de paixão antes que o fogo se espalhe. Fazendo isto, eles continuamente conquistam a pureza santa, a um degrau heroico. Quanto maior é nosso amor por Deus, mais forte reagimos contra qualquer coisa que poderia nos levar para longe dele. Como foi dito anteriormente, a pureza santa não é uma virtude dos passivos – isso requer ação.

A primeira ação que a pureza requer não é fazer nossas paixões rebeldes mais fortes reprimindo-as. Isto é óbvio; quanto mais você se entrega às paixões, mais elas te dominam; quanto mais elas insistentemente forem na próxima vez, diga Não. Se nós perseverarmos em não fazer o que pedem nossas paixões rebeldes, elas irão necessariamente se reajustarem, sozinhas. Isto demonstrou dramaticamente como na lamentação de uma criança mimada: se você a leva para fazer compras, você testemunhará como esta lamentação cresce, alcança um nível de desespero se não for satisfeita.

Se alguém já lidou com muitas crianças mimadas, provavelmente saberá que neste momento é impossível prevenir toda a lamentação da criança, há estímulos definidos que provocam mais – como ir a uma loja de brinquedos. Os pais que não têm certeza se eles podem aguentar mais o mimo das criançar, devem se prevenir de tais ocasiões. Eles poderão ter que pagar o preço!

O mesmo é verdadeiro no caso das paixões individuais. Com a pureza, nós lidamos com os problemas de pecado e vida eterna; as apostas são altas; não podemos nos expor facilmente situações que podem levar ao pecado, mesmo se esta situação for segura para outros.

Quedas sérias na pureza são previsíveis, para alguma extensão, gerenciar as ocasiões nas quais elas tipicamente surgem. Quanto mais a rotina, ou automático o hábito de pecado se tornou, mais esforço será exigido para permanecer um passo a frente disso. Evitar as ocasiões de pecado pode assim dar à pessoa algum tempo para consolidar sua luta, especialmente por fortalecer a decisão de resistir ao hábito pecaminoso.
A internet, um desafio particular

Hoje em dia, o fácil acesso a materiais pornográficos representa um desafio particular para viver a pureza santa. No passado as pessoas era ajudadas pela vergonha que implivaca em ir atrás desse material. Isto foi por muito tempo, sem dúvida, um impedimento forte.

Se deparar com material sensual ou pornográfico é quase inevitável se alguém passa um tempo regular na internet. Uma pessoa pode acidentalmente ver algo por digitar errado um endereço da web, ou clicar em anúncios que levam a sites pornográficos; alguns programas podem colocar anúncios pornográficos no computador. Sites de notícias e de compras às vezes têm propagandas sensuais , ou fotos postadas neles. Dada a “onipresença” deste material na internet, é necessário considerar como se pode usar a internet com prudência.

Para aqueles que nunca tiveram dificuldade com pornografia, a consideração principal é se deveria instalar um filtro. Se a internet é usada regularmente, esta é certamente a opção mais segura, mesmo se não for uma norma absolutamente moral. Um pequeno estímulo de desejo impuro pode rapidamente se tornar um incêndio; a atração à materiaus pornográficos pode se desenvolver rapidamente, e é imprevisível. Aqueles que nunca tiveram problemas com a internet ainda precisam ter cuidado ao usá-la.

A internet é como uma vizinhança velha que se tornou má; pode haver certas lojas que têm alta qualidade, as quais se justificaria a viagem até lé; mas não se gastaria tempo andando por lá sem necessidade. Adequadamente, a internet deve ser usada rapidamente, e sempre com propósitos específicos, especialmente por necessidade profissional de trabalho e e-mail. Explorar a internet, ou usá-la excessivamente para buscar notícias e informação pode facilmente gerar uma atitude frívola. Assim como conversas sem importância, se prolongadas, podem facilmente se tornarem impuras, assim como coisas desnecessárias na internet podem se tornar um ato carnal. A curiosidade pode ser um sinal de mente saudável, e pode ser útil quando adequadamente direcionado’mas é similar aos apetites corporais os quais, que se não é dado menos do que se deseja, se tornam traidores. Muitas dificuldades são evitadas por se fazer uso da internet apenas com um plano específico, e não por períodos prolongados de tempo.

A questão do uso prudente da internet muda um pouco quando isso se torna uma ocasião de pecado, isto é, depois que a pessoa desenvolveu uma atração ao pecado. Os filtros são mais necessários nestes casos, embora não sejam infalíveis. É extremamente difícil evitar que um adulto cumpra um mal que ele pretende cumprir. Mesmo assim, um filtro pode limitar a facilidade de acessar talvez materiais ainda piores que ocasionariam uma queda; alguns têm meios de informar outra pessoa, a qual pode facilitar uma grande possibilidade de mudança.

Nem todos os pecados contra a pureza são igualmente problemáticos. De acordo com São Tomás de Aquino, a força para o hábito depende na intensidade do ato que o criou, ao longo da duração ou repetição (cf ST, I-II, q52, art3). Sobre a impureza e a internet, isto sugete muitos fatores que seriam associados com mais hábito e problemas impulsivos:

  1. O grau de explicitude no material visto (imagens sensuais, pornô leve, nudez, pornô pesado – como a pornografia é definida no CCC 2354);
  2. O tempo gasto vendo o material;
  3. SE isso leva a pecados futuros contra a pureza.

Dado o possível perigo envolvido deve desenvolver uma atração, cuidados devem ser tomados para se guardar além do uso de filtros. Isto é sempre aconselhável que a internet usada num modo aberto, num ambiente não secreto – mesmo se nunca houver problemas neste local. Idealmente, isso significaria usar em local público; ou, pelo menos, deixar a porta do local aberta, se está em casa ou no trabalho. Para alguns, isto também significa não isar a internet a noite, ou quando viajam.

Se os problemas com a internet têm ocorrido exclusivamente numa determinada ocasião, esta precisa de cuidado especial. A pessoa mais decidida em desistir destes riscos desnecessários fará mais progressos. Se estas restrições precisarão ser permanentes, ou mesmo se requer a mudança no trabalho ou estudo de alguém – ou se puderem tomar efeito com cuidado especial até a pessoa ter crescido em sua habilidade de resistir, depende de cada indivíduo.

Em última análise, a luta para se viver a pureza santa não pode ser confinada a evitar ocasiões de pecado. Enquanto é necessário evitar estas ocasiões, se elas são desnecessárias e aproximam-se de pecado sério, o cuidado deve ser tomado para que a pessoa lutando contra estes assuntos não desenvolva uma mentalidade de cerco. Deve-se reconhecer que existem imagens sensuais em todo lugar no mundo atual: evita-las completamente é impossível. Por causa desta impossibilidade, é necessário aprender a dominar sobre os próprios desejos – o que significa aprender a por para fora as faíscas em qualquer lugar que isto ocorra, antes que o fogo se espalhe.
Quebrando a “Visão de Túnel”

Frequentemente as pessoas descrevem o que acontece a elas quando tentações da impureza ficam fortes como uma visão de túnel. Isto torna difícil pensar em qualquer outra coisa, e as razões para resistir (especialmente razões espirituais!) desaparecem de sua consciência. Quando esta visão de túnel se estabelece, parece que a queda se torna inevitável; alguns a descrevem como “piloto automático”. Esta situação traz um considerável senso de desespero sobre sempre perseverar na pureza.

Mesmo dentro da visão te túnel, no entanto, é ainda possível sair se o entendimento da situação é o que esta’acontecendo. As paixões são uma resposta passiva a um objeto percebido. Se nós deixarmos nossa atenção se focar num objeto sexual, presivivelmente nossos desejos serão despertados; e quanto mais nossos desejos são despertados, mais nossa atenção se torna fixa no objeto de nossa paixão; e então há uma ligação, entre como a paixão cresce e a atenção também cresce, a qual alimenta a paixão, que alimenta a atenção – portanto, o efeito de túnel. O objeto pode ser algo externo, mas frequentemente é interno: uma imagem, ou um pensamento (particularmente de um pensamento de cometer um ato impuro). Quando a atenção de alguém se torna fixa num objeto, a habilidade de pensar racionalmente fica nublada; a habilidade de se lembrar das razões para não cometer um certo comportamento falha; a habilidade de planejar , de encontrar uma saída deste ciclo, falha.

Os meios de vitória humana sobre a pureza – “aprender a lutar” que Santo Agostinho descreveu – envolve quebrar esta visão de túnel.

A visão de túnel se intensifica com a confluência da atenção, desejo e objeto de desejo. Desde que nossos desejos, neles mesmos não respondam totalmente a comandos voluntários, o processo não pode ser parado simplesmente por querer não desejar. Atenção, no entanto, é uma força ativa da alma, e está além do controle voluntário num degrau muito mais alto. Para parar o ciclo, a atenção deve ser arrancada do objeto de paixão, dependendo da força da paixão isso pode exigir grande esforço – mas pode sempre ser feito.

Estar consciente é a arte de identificar os objetos de atenção, e intencionalmente redirecioná-la a um objeto neutro, e depois fixa-la em um lugar. Com a prática de estar atento, é possível se libertar dos comportamentos que empurram para as paixões. Isto dá espaço para pensar e planejar o próximo passo.

Primeiro, é preciso ter motivos para não consentir com o pensamento de outro.

As paixões confundem a razão, tornando difícil de pensar, ou se lembrar de algo que vai contrário a elas. Mesmo enfraquecida, a razão consegue reconhecer a verdade, se esta é apresentada a ela – por exemplo, ler algo que alguém escreveu num momento de clareza. Isto pode ser extraordinariamente de razão para a razão no momento contra a paixão, e então rende um consenso; simplesmente ter razões escritas podem prevenir esta colapso.

Um outro modo de fortalecer a razão de alguém a não consentir é fazer a junção de algo positivo que a leve a gostar da pureza santa. Por exemplo, se alguém gosta de café, pode-se fazer este contingente em ter vivido a pureza bem na semana passada. O lado reverso é que se alguém é colocado em tentação contar a pureza, este irá se abster deste prazer por uma semana.

Comportamentalmente, esta abordagem é comprovada para reforçar os comportamentos desejados; espiritualmente pode ser oferecida a privação, deve ocorrer como uma penalidade. (cf. São Josemaria Escrivá, A forja, 207).

Pode-se fortalecer as razões por não consentir em não dar sincera importância às “razões” que uma pessoa usa quando se permite cometer um ato impuro; exemplos típicos seriam, “Eu não vou conseguir dormir[ou trabalhar, ou pensar claramente] até que eu supere isso;”, ou “Esta é a última vez que faço isso”, ou “Isso não vai ferir ninguém”. Estes “pensamentos permissivos” devem ser escritos quando ocorrem, ou qualquer hora que alguém recordar-se deles, pelo processo de escrevê-los tira a força de convencimento deles. Depois de escrevê-los todos, deve-se trabalhar neles, escrevendo argumentos contra eles que destaquem suas falácias. Ao se obter estes contra argumentos escritos e bem ensaiados podem ser de grande ajuda na próxima vez que aparecer a tentação.
Segundo, é necessário ganhar tempo.

A cada minuto, uma pessoa é pega em uma forte paixão, a qual não age segundo a paixão é uma vitória. Se estas pequenas vitórias são multiplicadas, a batalha é vencida. Sem paixão, qualquer desejo, ou medo, ou raiva, podem permanecer intensos sem nenhum reforço. Nem mesmo fome física permanece intensa se o indivíduo não se alimenta, mas prefere rápidas pequenas refeições. Se não se recusa a agir segundo a paixão, ela irá – necessariamente – diminuir. Este processo é chamado habituação.

Talvez o mais ordinário, e frequente modo de se fazer é simplesmente colocar a atenção no trabalho ou estudos; a virtude da laboriosidade é indispensável para governar a imaginação. Desde quea solidão pode aumentar a memória e imaginação, o ciclo é quebrado pela certeza de estar na presença de outros (seja pessoalmente, ou por telefone). Atividades físicas fixam a atenção de fora para nós mesmos, e podem ser meios efetivos de quebrar o ciclo. Por exemplo, para os menores, acordar e ir fazer caminhada pode limpar a mente. Para os maiores, pode-se fazer exercícios, ou as tarefas domésticas.

Se a pessoa tem habitualmente cometido pecados contra a pureza, este precisará passar um tempo fortalecendo-se contra os desejos; mas estes eventualmente se cansarão. Deve-se estimulá-los, eles conseguirão força, foco e diminuirão os desejos. Desde que não se entregue aos desejos, eles diminuem, até quase desaparecerem. Em conflitos futuros – quando aparecerem, geralmente com intensidade menor – a pessoa terá aprendido a lutar fortemente contra eles, e será mais fácil superá-los.

A estrada para a liberdade e autocontrole pode ser difícil. Conforme se progride – especialmente nas duas primeiras semanas a dois meses – pode-se experienciar sentimentos de cansaço e irritação; pode-se sentir triste ou ansioso, e pode encontrar dificuldades para dormir. Estes são sintomas de abstinência, e eles não representam perigo. Enquanto estiver em abstinência também é comum ter ocasionais aumentos de desejos, os quais podem ser esmagadores. Estes podem ser desconcertantes se a pessoa não os vêem como são; sinais de progresso são parte necessária para se vencer.

Aumentos de desejos não podem durar muito; mesmo se alguém acaba cedendo, ou se alguém o conquista. Se não se age segundo o desejo, o aumento do desejo irá diminuir, talvez por algumas semanas, mas certamente voltará, e provavelmente ainda mais forte (os psicólogos se referem a este fenômeno quando falam do quanto um reforço intermitente aumenta os desejos). Um pensamento comum que leva à queda durante um aumento é “Eu poderia muito bem acabar com isso”. Este pensamento é falso: ao se fazer o que o desejo pede, certamente não se chega a acabar com ele, mas é preferível tê-lo várias vezes. Se não se age no impulso, o desejo se dissipará; gradualmente os aumentos irão perder a força. Após semanas ou meses, as paixões estarão remodeladas.

A chave para derrotar um aumento no desejo é não aumentar a sua diração, usando qualquer meio que se tenha. Estes aumentos não duram muito, de fato. As quedas são sempre inevitáveis. Uma queda parece ser inevitável, alguém pode simplesmente pensar que isto é astúcia da concupiscência, tentando persuadi-lo a ceder. As vezes nestes momentos, é necessário estabelecer um tempo, de cinco a três minutos e decidir com todas as forças resistir por este tempo. Quando os cinco minutos acabarem, serão repetidos; quanto mais desesperado parecer o desejo, mais perto está de desmoronar; e conforme for o desejo, o tempo pode ser aumentado, até por meia hora. Os desejos sempre recuam se não são consumados.
O verdadeiro desejo de coração

“O coração foi criado para amar, não há dúvida. Deixe-nos, portanto, trazer nosso Senhor Jesus Cristo para o amor que sentimos. De outro modo, o coração vazio se vinga e se enche da mais desprevível perversidade”

São Josemaria Escrivá, Sulco nº 800.

Os problemas com a pureza pode ser, em alguns casos, pensamento da reação que o coração tem quando não é preenchido com a profunda e necessária intimidade e auto doação; a pessoa é vazia, e tende a se tornar egoísta.

Embora tenhamos discutido meios de crescer na pireza por evitar ações em desejos impuros, há outra maneira de crescer na pureza que é ainda mais direto. Se o que foi mencionado acima é similar à luta do rei Davi contra os filisteus, o “modo direto” de crescer na pureza é como a “vitória” de Ezequiel sobre os Assírios (Reis, 19). Este rei não pegava em armar, ele não podia: ao invés disso, voltou-se para Deus, que matou cento e oitenta e cinco mil invasores em uma noite em nome de Israel.

Uma transformação similar na sorte da alma ocorre quando a alma coloca sua atenção inteiramente em Deus e aprende a colocar toda a sua fé nele. Virar-se à afeição a Deus no momento de tentação, e fazer isto através de um caminho de certeza, amor terno pela Virgem Maria, é o meio mais forte de a alma resistir à tentação. Assim como os meios sobrenaturais, obtém-se Deus a graça necessária para vencer; assim como nos meios humanos, esta prática leva o coração a desejar e afeiçoar que são incompatíveis com a impureza.

Assim como a alma aprende a amar a Deus, ela descobre a notável força que o amor tem para tornar tudo em si mesmo. Os encargos se tornam liz enquanto suportados com amor, setornam um modo se mostrar amor. Autonegação e sacrifícios se tornam outro modo de amar a Deus. Assim como o desejo por Deus cresce na alma, a energia da alma permanece e outros desejos diminuem; e seu desejo pelas coisas que vão contra o amor de Deus muda para uma santa aversão, e seu amor por Ele cresce. Amor por Deus direciona a produzir a Santa Pureza na alma.

A alma pode facilitar este trabalho de amor por aprender a fazer sacrifícios por Deus. De um modo parecido tornar o afeto a Deus e a Nossa Senhora, uma prática de mortificação é simultaneamente um meio sobrenatural de ganhar a graça e meio humano de adquirir domínio. Não importa o que é sacrificado, ou quão grandes é o sacrifício. É suficiente que a alma ofereça a negação do que deseja pelo amor de Deus. O que importa não é produzir dor, mas preferir acostumar-se a manter o desejo por Deus. O ponto não é produzir dor, mas ao invés disso, acostumar-se a manter o desejo por Deus a frente enquanto deixa outros desejos, mesmo o mais inofensivo, toma o segundo lugar. Quando é feito pelo motivo de ser livre para amar mais a Deus, esta prática leva a alma à um nível superior de liberdade, no qual a alma regozija em estar administrando seus impulsos, e se encontra capaz de amar a Deus com mais afeição ainda que antes.

A pureza cresce em conjunto com a afeição que temos por nosso Senhor. Desenvolvendo a frase de São Paulo (Rom,1 2:21), São Josemaria costumava dizer que “devemos afogar o mal em abundância de bem.”Para se ter o desejo fixado em nosso Senhor, não é suficiente fazer alguns atos mornos de amor a Deus. Deve-se fazer uma abundância de atos, enchendo o coração até ser preenchido pelo amor. Como os santos costumavam ensinar, contemplar a paixão de nosso Senhor e a morte, sua presença na Eucaristia, e o amor por sua Santa Mãe Maria, facilita muito o crescimento da afeição e devoção na alma. Por esta contemplação, a alma cresce em compaixão por nosso Senhor, e desenvolve uma forte e pessoal lealdade a Ele – os dois servem para fazer a alma repugnar o pecado.

“O amor que transborda para paixões rivais deve ser ardente, é o tipo de amor que é dito como queda.”

Assim é como São Josemaria termina seu trabalho, “O Caminho”:

“E qual é o segredo da perseverança? Amor. Se apaixonar, e você não o deixará.

Fonte: Purity is Possible

Tradução: Jhonathas Pereira



Sobre

Seminarista na Arquidiocese de Diamantina - MG 27 anos.


'Crescendo na Santa Pureza' possui 2 comentários

  1. 23 de abril de 2015 @ 17:14 Danilo Xavier

    Texto maravilhoso. Belíssimo apostolado esse!
    Salve Maria!

    Responder

  2. 25 de outubro de 2016 @ 22:42 Fábio Vieira

    Excelente ensinamento!
    Que alegria me deparar com essa formação!
    Louvo a Deus pela sua vida e por Ele te usar como canal de graça!
    Bendito seja Deus!

    Responder


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