CRISTO, MODELO DE FORTALEZA


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                Sendo tão grande a vulnerabilidade humana e, em consequência, tão indispensável a fortaleza, o progresso nesta virtude é uma tarefa na qual devemo-nos empenhar a fundo. Não é uma qualidade que se receba, como coisa já acabada; é antes uma qualidade que possuímos em germe e que deve ser desenvolvida com o nosso esforço.

                São, porém, tão numerosas as dificuldades que surgem, é tão grande a fraqueza humana, que precisamos que a nossa coragem seja dilatada pelo poder divino. A rijeza humana que devemos tentar adquirir servirá de base à virtude sobrenatural da fortaleza, infundida por Deus na alma, a qual eleva e potencializa os nossos próprios recursos. Só ajudados por ela conseguiremos alcançar essas metas árduas e difíceis do viver cristão.

                É aqui que vem ao nosso encontro um Deus infinitamente compreensivo que – no dizer de Santo Agostinho – “se fez homem para que o homem pudesse vir a ser Deus”: Cristo fez-se caminho, verdade e vida (Jo 4,6), colocando-se ao nosso lado como estímulo e auxílio.

                Temos de ver Jesus Cristo presente, junto de nós, como modelo vivo de uma personalidade maravilhosa que deve ser imitada. E entre as facetas desse modelo, é preciso que agora reparemos especialmente na sua fortaleza. Porque, ao insistirem tanto na sua bondade e na sua mansidão, alguns se esqueceram às vezes de falar da sua firmeza e da sua varonilidade. Não raro se apresenta a figura de Jesus com traços tão delicados, tão adocicados, que nem parece uma figura de um homem. “O que impressiona, antes de tudo, na natureza humana de Cristo – escreve Karl Adam – é a extraordinária lucidez do seu pensamento, assim como a inquebrantável firmeza de sua vontade. Se se quisesse tentar o impossível e exprimir numa palavra a sua fisionomia humana, seria necessário dizer que foi verdadeiramente um homem de caráter inflexível e totalmente voltado para o seu fim […]. A hesitação e os compromissos covardes não são com Ele […]. Jesus é sempre o mesmo, está sempre pronto, porque nunca fala ou age senão com toda a sua consciência luminosa, com a sua vontade enérgica e total […]~. Jesus é um caráter plenamente heroico, o heroísmo feito homem”.

                Assim temos que vê-lo, integralmente, em toda a sua magnitude. Aquele Jesus que acaricia suavemente a cabeça das crianças com a mão forte de um carpinteiro é o que empunha com a mesma mão o chicote para expulsar os vendilhões do Templo, porque o devora o zelo da Casa de Deus. Aquele Mestre que diz serenamente: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 21, 11), é o mesmo que desmascara os hipócritas chamando-lhes abertamente raça de víboras e sepulcros caiados. (cfr. Mt 3, 7-23.27).

Cristo Carpinteiro

                Sim, temos que ver Jesus forte, que passa noites inteiras sem dormir entregue à oração, que se alimenta com um punhado de trigo recolhido à beira de qualquer caminho, que não tem para descansar um refúgio como os ninhos  dos pássaros ou as tocas das raposas, que dorme entre as cordas da barca de Pedro, que responde com inaudita firmeza a um Herodes ou a um Pilatos, que com a simples força da sua voz derruba o corpo de guarda que o vem aprisionar, e que morre com uma serena fortaleza perdoando os seus carrascos enquanto murmura: Tudo está consumado (Jo 12, 30).

                Ele nos diz: Aprendei de mim (Mt 11, 29), dei-vos exemplo para que como eu procedi, assim procedais vós também (Jo 13, 15).

                Quando temos diante de nós uma personalidade marcante, eleva-se do mais profundo do nosso peito um grande desejo de imitá-la, uma motivação que nos impele a identificar-nos com ela. Isso tem acontecido em todas as épocas históricas. Em torno das figuras de destaque, dos grandes vultos, sempre se formam movimentos e escolas que eram, em última análise, como que a cristalização de uma autêntica vontade de identificação. E que personalidade pode haver que supere a de Cristo, “perfeito Deus e perfeito Homem”? Proceder de acordo com o exemplo de Cristo não representa, por acaso, o maior ideal humano, capaz de dinamizar todas as molas da nossa vontade e os anseios mais profundos de perfeição e de plenitude?

[Texto retirado do livro Fortaleza de Dom Rafael Llano Cifuentes]


Sobre

Seminarista na Arquidiocese de Diamantina - MG 27 anos.


'CRISTO, MODELO DE FORTALEZA' possui 1 comentário

  1. 30 de novembro de 2015 @ 10:31 Wellington

    O texto foi elaborado de forma magistral, esses relatos sobre Cristo , seus pensamentos e suas atitudes, nos fazem refletir e ficar mais fortes na fé e no nosso caminho.

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"Um varão católico não pode esquecer esta ideia-mestra: imitar Jesus Cristo, em todos os ambientes, sem repelir ninguém."

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