Eu sou igual a você, Papai!


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Por Sam Guzman, [The Catholic Gentleman]

ohomemcatolico_pai_estovir“Eu sou igual a você, papai,” disse-me um dia meu filho, olhando para mim com olhos brilhantes, como se isso fosse a maior conquista possível. Eu tinha acabado de vestir a minha gravata para a missa, e Peter também. Estávamos surpreendentemente parecidos, um fato que trouxe muita alegria ao seu pequeno coração.

Como qualquer pai sabe, as crianças são extremamente imitadoras. Elas estudam cada palavra e ato cuidadosamente, absorvendo seu modo de viver com a esperança de ser como você. Se você martela pregos na parede, elas também começam a bater. Se você amarra os sapatos, elas também o fazem, ou no mínimo imaginam fazer. Se você toma café, elas imaginam ser café o leite que tomam.

A imitação das crianças nasce da admiração. Seus corações inocentes realmente não conseguem imaginar ninguém mais maravilhoso que a mamãe ou o papai, e não veem motivo para não poderem ser como essas pessoas que tanto amam. Com certeza, esse pode ser um fato apavorante – causa de um sério exame pessoal. Eu tenho vivido de tal maneira que meus filhos possam seguramente imitar-me? Estou tratando os demais da mesma maneira que gostaria que minhas crianças os tratassem? Eu amo a Deus da maneira que espero que minhas crianças O amem?

Muitas vezes, os pais têm separado padrões de comportamento para eles próprios e para suas crianças. “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço,” comandam sem perceberem que é exatamente o que eles fazem que formarão suas crianças, bem mais do que aquilo que dizem. Pais devem viver da maneira como querem que seus filhos vivam. Não há quantidade de instrução que substitua a majestosa catequese de uma vida bem vivida.

Sejam imitadores de deus…

A grande maioria dos pais, se resume, então, ao exemplo que definimos. Mas há uma lição mais profunda a ser aprendida das crianças, e esse é o caminho do nosso próprio avanço espiritual.

Muitas vezes, nós complicamos demais a vida espiritual. Queremos um programa sofisticado, envolvendo, quem sabe, muito estudo de teologia e filosofia. Queremos rezar muitas orações e ler muitos livros. Mas enquanto essas coisas são boas em seus devidos lugares, elas não são a essência do crescimento espiritual. Na realidade, o programa para progresso espiritual é muito simples: cuidadosamente imitar Deus Nosso Pai com simplicidade infantil

 “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados,” ensina São Paulo, de fato, isso é o que nós somos – filhos de Deus. Num sentido bem real, podemos chamar a Deus, “Abba, Pai.” Pela graça do Espírito Santo podemos compartilhar da Sua natureza. A plenitude de Sua vida mora em nossas almas. E como filhos e filhas amados, deveríamos aspirar por dizer “Eu sou igual a você, Papai.”

O orgulho no coração rejeita esse caminho simples da imitação infantil. Eles enxergam a vida espiritual como se esta envolvesse complexos e difíceis requerimentos, como um caminho apenas para os fortes, maduros e eruditos. Eles não têm nada mas menosprezam aqueles que seguem a Cristo na simplicidade. Esquecem das palavras de Cristo, “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus.”

Mas como?

Nossa vocação é a imitação de Cristo. Devemos ser cópias vivas de Jesus Cristo, pequenos espelhos de sua glória. Mas como fazer isso? Afinal de contas, Jesus viveu há muito tempo atrás, e não é possível assistirmos reprises de sua vida na TV. Como saberemos como Ele viveu?

A resposta se divide em três. Primeiro, devemos estudar os evangelhos. É nos evangelhos que conhecemos a Cristo Jesus, a plenitude da revelação de Deus. Ler um pouco de um dos quatro evangelhos a cada dia. Lê-los de novo e de novo até que a pessoa de Jesus, seus atos e palavras, esteja indelevelmente marcada em sua alma.

Segundo, devemos estudar os sagrados exemplos dos santos. “Por isso, vos conjuro a que sejais meus imitadores,” diz São Paulo, “Para isso é que vos enviei Timóteo, meu filho muito amado e fiel no Senhor.” A vida de São Paulo foi uma perfeita imitação de Cristo. São Timóteo, por sua vez, foi formado por Paulo como seu filho espiritual, tanto que ele se tornou uma cópia de Paulo, e por consequência, uma cópia de Cristo. Imitação é fruto da observação, e podemos aprender muito com o exemplo dos santos, vivos ou no céu. Estude a vida dos santos – suas palavras e obras – e esforce-se em imitar seus exemplos.

Finalmente, devemos rezar. Não podemos amar ou imitar alguém que não conhecemos, e o conhecer a Deus vem somente através de fervorosa e frequente oração. Essa oração não precisa ser complexa. Não devemos gastar energias buscando experiências místicas ou vigílias noturnas. Devemos rezar com a simplicidade de uma criança, mesmo que a oração seja meramente invocar o nome de Jesus constantemente.

Muitos se perguntam por que o rosário se tornou tão popular. Por que essa oração e não outras? Há diversas razões, mas a mais importante é a sua profunda acessibilidade. Não é uma oração para o orgulhoso, é uma oração para o simples. E sem tal simplicidade, e sincera oração, nós nunca iremos conhecer nosso Pai no céu.

Não sou mais eu quem vivo

Quando meu filho olha para mim e diz, “sou como você, papai,” meu coração se enche de amor e alegria. Eu quero que ele seja como eu. Qual pai não quer isso? Assim é com a família de Deus. Deus, nosso Pai, anseia que somente sejamos como ele, para irradiarmos sua imagem plena e completa. Seu coração paternal deseja muito que olhamos a Ele com amor e digamos, “Eu sou igual a você, Papai.”

Em suma, a vida cristã, a vida católica, é um esforço para se conformar com Jesus Cristo, nosso irmão mais velho na Família Divina. Queremos mudar nossa vida por Ele, ao ponto em que ele viva perfeitamente em nós e por nós. Devemos imitá-lo em cada pensamento, palavra e ato, até que possamos dizer como São Paulo, “Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.”



Sobre

Mineiro, filho de São José, que me acolheu em sua 'carpintaria' em Bagé/RS para ser instruído e guiado por seu servo, o Padre Cléber Eduardo.


'Eu sou igual a você, Papai!' possui 3 comentários

  1. 16 de novembro de 2016 @ 09:27 Leonardo Tafarel Carboni

    Sou pai de uma menina de 2 anos, a qual é uma beata kkkkk, fato interessante que todas as noites ao nos deitar sempre em família como ela ainda dorme em nossa quarto, estava muito cansado e decidi fazer minha oração em silêncio, quando me surpreendi que a mesma me chamou a atenção e me disse, pai esqueceu de rezar pro anjinho nos proteger, e é com muita alegria que me manifesto pois confirmo que nossos filhos são nosso reflexo, e a oração em família nos edifica e nos mantém unidos.

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  2. 20 de novembro de 2016 @ 09:46 Marcos Silva

    Fantástico!! Simplesmente Fantástico!! Taí a razão de nossa vida, imitadores de nosso Papai!!

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  3. 27 de novembro de 2016 @ 23:26 José Antônio

    Texto lindíssimo!!! Como é bom para nós, afetiva e psicológicamente, ter um pai…

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"Um varão católico não pode esquecer esta ideia-mestra: imitar Jesus Cristo, em todos os ambientes, sem repelir ninguém."

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