Não seja “templário da internet”: como lutar por Cristo


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Em tempos de terrorismo islâmico sendo acobertado por jornalista safado e Europa pós-cristã caminhando para a islamização, é compreensível que surja o fenômeno do “templário da internet”.

São normalmente jovens que conheceram um pouco da história da Igreja – não aquela campanha de difamação que vemos nas escolas, mas a história do santos – e desenvolveram um amor pela tradição. Movidos por esse amor, querem combater de alguma forma os inimigos da Igreja. De qualquer forma: há muita maldade no mundo e eles precisam fazer algo contra!

A vontade é boa, mas o “combate” acaba sendo um monte de “tretas” no Facebook.

As redes sociais criam o que o teórico da comunicação Baudrillard definiu como “simulacro da realidade”. Como isso funciona?

Você já deve ter visto a situação em que alguém compartilha alguma barbaridade. O “Porta dos Fundos” faz um vídeo blasfemando, por exemplo. Você vai lá e negativa o vídeo. Vai além: xinga. Deixa um palavrão nos comentários. Ainda assina petição pedindo remoção do vídeo.

Sabe a sensação de dever cumprido? O alívio?

Simulacro da realidade. É só uma sensação de que você fez alguma coisa. Na verdade você apontou um punhado de botões (e deu visibilidade ao canal).

O fenômeno dos templários da internet está ligado a isso. O rapaz passa o dia tretando em posts de feministas, protestantes e supostos “hereges”, arrumando briga no Facebook. Além disso usa Deus vult e às vezes coloca um cavaleiro na própria foto de perfil. E sente que está realmente contribuindo com a cristandade.

Sai dessa. É tempo desperdiçado. Simulacro de realidade. E com perigo de cair na vaidade de se achar um “guerreiro de Deus”.

Os inimigos da Igreja realmente estão indo longe. É necessário que haja quem combata por Cristo. É urgente. Mas Cristo precisa de homens inteligentes e virtuosos, cientes de que a luta começa no combate espiritual, e que é pelas almas, não pelo “conservadorismo”, a volta da monarquia ou pela “ocupação de espaços” (coisas que podem ser positivas, mas na medida em que servem à salvação das almas).

A regra dos templários aponta um caminho para todo o homem que queira ser um autêntico guerreiro de Deus. Vamos meditar alguns de seus pontos:

1 – Combate espiritual requer armas espirituais

A regra dos templários os obrigava à oração da liturgia das horas, como os monges. Além disso as refeições noturnas eram em silêncio, ouvindo uma leitura espiritual durante. Os templários tinham ao longo do dia momentos de oração fixos, constantes.

Não é possível lutar por Deus abrindo mão das armas espirituais. Um soldado de Cristo precisa de momentos para a oração e a escuta da palavra. Todo dia. Sem esse alimento espiritual nada podes fazer.

2 – Combate à carne

Os templários tinham uma rigidez ascética. Soldados, precisavam de boa alimentação, mas mesmo assim a carne não era mais do que três vezes na semana. E os pratos eram sóbrios, sem luxo.

Você, estudante universitário, trabalhador de escritório; você que não está lutando em um campo de batalha: como anda a mortificação?

Não podemos querer lutar por Cristo se somos escravos das paixões mais baixas. Da gula, da luxúria, da concupiscência da carne. É necessário penitência – e penitência corporal.

3 – Pobreza, obediência e castidade.

A regra dos templários trata longamente sobre suas posses. Terras? Cavalos? Escudeiros? Armaduras caras? Vestimentas finas? Tudo isso sofria duras restrições, levando em consideração que muitos deles eram nobres. O templário podia ter pouco mais que cavalo, escudeiro, armadura simples e as roupas de um camponês. Podiam ter bens e terras, mas nada que fosse luxo.

Sabiam que o homem só combate livremente quando não se apega aos bens terrenos.

Duas outras coisas que libertam o coração do homem são a castidade e a obediência. O templário, mesmo o casado, vivia o celibato enquanto estivesse nas fileiras da ordem. Conversas impuras? A regra era clara: “se algum irmão ouvir a outro tais palavras o faça calar e não conseguindo se afaste, para que não dê a sua alma ouvidos a quem vende tal veneno”.

Em tempos onde nos meios ditos “conservadores” e tradicionais as pessoas usam de baixarias e palavrões cabeludos, muitas vezes na presença de mulheres, isso é algo a ser levado em conta. A internet é um lugar licencioso, onde conversas – e principalmente, imagens – de cunho sexual e baixo proliferam.

A regra também diz que “nada existe de mais agradável a Jesus Cristo que a obediência”. Obediência não é só seguir os dez mandamentos. Obediência envolve um respeito e doçura com os superiores: o pároco, o bispo e o Papa. É esquizofrênico um rapaz que ostente fotos de templários no perfil do Facebook e no mesmo perfil difame o próprio bispo ou não perca uma oportunidade criticar o Papa, mal interpretando suas palavras e ações.

Soldados obedecem. Soldados respeitam a hierarquia – eles não avaliam se seus superiores cumprem os pré-requisitos que eles desejariam. Eles obedecem.

4 – Fuga das intrigas

“Mandamos que fujais da emulação, da inveja e da calúnia como da peste”. O templário de internet muitas vezes se lança em intrigas, em tretas de panelinhas. A internet facilitou muito os pecados da língua. Um verdadeiro templário teria horror a toda essa bobagem. Foge você também desses ambientes de maledicência e tapa os ouvidos a tretas desnecessárias.

Esses pontos apontam um bom caminho – e muito trabalho – para aquele que quer combater por Deus e pela Igreja. Envolve, principalmente, uma verdadeira reforma de vida.

Por fim, lembremos que se a luta é pela glória de Deus e a salvação das almas, hoje ela se dá essencialmente na cultura. A guerra é, hoje, contra a cultura de morte, a ditadura do relativismo, a cultura do descartável. Além dessa vida de oração, penitência e virtudes do templário, é necessário uma busca por formação equivalente ao que o templário praticaria com a espada.

Não é fácil. Mas Deus o quer! Que essas palavras do Papa Pio XII nos sirvam de ânimo para a luta:

“O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade.

Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de ‘Deus o quer’, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados.

Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência”.

Deus vult!



Sobre

Carioca, 24 anos, social media, redator e aspirante a congregado mariano. Em tudo: "Ite ad Ioseph"


'Não seja “templário da internet”: como lutar por Cristo' possui 9 comentários

  1. 23 de outubro de 2017 @ 23:47 Francisco Lúcio Sátiro Maia Pinheiro

    Muito bom. Me descreveu. Sou o tal templario de internet. Estou rindo porque o texto parece que foi feito para mim.

    Responder

    • 24 de outubro de 2017 @ 09:08 Daniel Alves

      Todos temos essa tentação, meu amigo. Descrevi a mim mesmo nos meus 20 anos.
      Não desanime. Se tem a humildade de se enxergar, conseguirá amadurecer.

      Responder

  2. 24 de outubro de 2017 @ 06:50 Alex Mazzoti

    Excelente matéria. Concordo com o texto. É uma.perda de tempo ficar arrumando intriga nas redes sociais. Oremos para que Jesus e Nossa Senhoranos giiem ,os homens de hoje …

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  3. 24 de outubro de 2017 @ 08:43 Thiago

    Excelente texto!
    A citacao do Pio XII foi retirada de onde?

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  4. 24 de outubro de 2017 @ 09:23 Joel Carlos

    Que texto! Parabéns e Obrigado!

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  5. 24 de outubro de 2017 @ 11:23 Victor Rios Belarmino

    É cara, é meio tenso. O problema é não aguentar que haja difamação da fé no Facebook. Eu por exemplo compartilho muita coisa, e sempre tem uma tretinha ali ou aqui. Mas eu não vou defender? Concordo muito com o texto. Mas onde eu vou usar a formação que for adquirida para “o combate”? O Facebook pode ser uma ferramenta não? De qualquer forma o texto está excelente e me acendeu algumas luzes sobre a mortificação, obediência e obviamente me impulsiona a buscar as virtudes. Realmente peco muito pela língua.
    Que que você acha de ir visitar meu perfil do Facebook e me dar umas dicas do que eu posso melhorar e onde me falta virilidade? kkkk Parece estranho isso, mas talvez dessa maneira mais prática eu entenda melhor o que devo mudar…
    Desde já muito obrigado pela atenção.
    Fique com Deus e Nossa Senhora.
    Deus Vult (que busquemos as virtudes)

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    • 24 de outubro de 2017 @ 11:30 Daniel Alves

      Victor, o texto não condena que se defenda a fé nas redes sociais.

      Condena quem usa isso como pretexto para procurar briga, dedicar a vida a um ativismo virtual estéril, descuidando da busca das virtudes e da vida de oração.

      Se a prioridade nossa é santificação, se colocamos as coisas no seu devido lugar, diante de uma situação dessas saberemos agir.

      Não há problema na defesa da fé em redes sociais (afinal, eu mesmo escrevo em um blog, não é? É um meio útil). O problema é viver para apologética de internet e descuidar da própria alma.

      Nosso apostolado dá frutos na medida que temos uma vida de oração e penitência.

      Não vou julgar seu perfil, não cabe a mim. Se você cuidar da alma, Deus dá discernimento para saber quando convém responder – e como responder – e quando é atirar pérolas aos porcos.

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  6. 25 de outubro de 2017 @ 12:08 Jarbas Domingos

    Muito bom o texto meu irmão.
    Em cada linha é possível ler “rapaz, seja humilde!”. Realmente, precisamos muito de humildade, tão presente em São José e Nossa Senhora.
    Parabéns!

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