O Apostolado da Vaidade


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Todo homem tem dentro de si algo que sempre o ameaça. Um engodo, um buraco negro que o transporta para fora de sua realidade e acaba por convencê-lo daquilo que ele não é, esse mal é “o orgulho de si”. Este e os demais vícios são uma trágica consequência do pecado original pelo qual fomos marcados. Porém este é o pai dos vícios, o pecado cometido pelo inimigo e também usado por ele quando tentou o homem pela primeira vez: “ Abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal.” Percebemos que há então um encanto nos homens de acreditar naquilo que não somos: “Deuses”. É nesse momento que nasce o ídolo, um pseudo-ego “superior”, “melhor”, “mais sábio”, “mais belo”, “mais esperto”…

Com o advento das redes sociais e a fácil exposição das opiniões ao grande público, as pessoas iniciaram uma promoção pessoal jamais vista, o que gerou também uma exposição desautorizada de imagens, vídeos, gravações das mais variadas e horrendas espécies. No entanto, o mais surpreendente dessa era é, de fato, a ridícula promoção voluntária de si, a busca pela fama em troca de qualquer coisa.

Qualquer coisa? Inclusive da Alma. A afirmação pode soar pesada diante de um assunto nem tão levado a sério, daí a necessidade de chamarmos atenção ao que está acontecendo entre nós, cristãos.

Todos os dias surgem novos “teólogos”, “doutores”, “santos” de facebook. Caras marcadas que, muito embora não saibam, ninguém leva a sério salve uma turba de adolescentes neoconvertidos. Eis então o “Apostolado da Vaidade”. Ensina-nos São João batista a importância da humildade quando diz “Importa que ele cresça para que eu diminua”, é necessário que deixemos a Luz de Cristo brilhar, ofuscando assim, toda a nossa miséria e permitindo que nós, “instrumentos insuficientes”, sejamos utilizados pelo Autor de todo bom fruto de qualquer apostolado. Porém, é notória a prática contrária, querem utilizar-se dos meios cristãos para uma auto-promoção teatral que beira o absurdo. Santos fabricados por si mesmos, caricaturas de piedade que se transformam mais em espantalhos que mensageiros do Evangelho. Outro dia no Instagram, muitos jovens católicos puderam notar o aparecimento de um estranho em suas “timelines”, dava-se então a atitude patética de um dos apóstolos de Narciso que, tendo um perfil com imagens de santos e igrejas já seguido por milhares de pessoas, apagou todas as postagens e o transformou em um perfil pessoal. A nova “celebridade católica” emergiu. Imagino o sorriso debochado do leitor nesse momento. Mais… compreendo-o.

Mas se é tão notável e cômica toda essa palhaçada, que risco ela apresenta às almas? Talvez às dos expectadores, quase nenhum. Quase! Pois cada doido tem lá seus adeptos. Mas à alma que cede à soberba, o prejuízo é imensurável. Por mais que ele se sustente belo e atraente frente ao computador, cada um sabe de suas misérias, sabe que está vendendo uma mentira de si, é como tomar um veneno com extrema elegância. São Josemaria Escrivá é quem alerta: “Quando ouvires os aplausos do triunfo, que ressoem também aos teus ouvidos os risos que provocaste com os teus fracassos.”

Para tocar um apostolado em frente, seja ele na internet ou não, é necessário compreender que se a sua imagem não for usada para atrair os outros para o fim último que é Cristo, certamente será usada para arrastar-lhe para um lugar onde não há rosto que não seja desfigurado: O Inferno!



Sobre

Seminarista na Arquidiocese de Diamantina - MG 27 anos.


'O Apostolado da Vaidade' possui 1 comentário

  1. 19 de outubro de 2016 @ 15:23 Ana Pereira

    Apesar de ser mulher acompanho o blog de vcs. Comecei a lê-lo por conta da catequese para buscar melhores subsídios para os meninos e acabei amando esse blog. Gostaria q os blogs voltados para nós mulheres católicas tivessem a sobriedade e a elegância, assuntos além de moda, receitas e artesanatos e incorporasse alguns temas muitos importantes como este. Parabéns pelo excelente trabalho de vcs! Q Deus os abençoe.

    Responder


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