O Diabo Busca o Barulho, Cristo, o silêncio!


Facebooktwittergoogle_pluspinteresttumblrmail

“É preciso calar e ter silêncio ao seu redor para poder ouvir a Deus.”

São Pio de Pietrelcina

Levanta-se. Dá uma rápida olhada no whatsapp e no facebook. Toma-se o café da manhã na empresa mesmo para ganhar tempo. Almoço rápido para não perder a reunião. Um intervalo para atualizar o status nas mídias sociais e tomar um cafézinho. Sai do trabalho. Vai para o seu segundo emprego – buscando aquela renda residual, hein filhão?!  – Chega-se em casa. Afaga as crianças que já estão dormindo. Engole o mexido para forrar o estômago. Conversa com a esposa sobre o dia e dorme.

A saber, apesar de ser essa a realidade de muitos pais de família, não pretende-se com isso enfatizar a rotina em si, mas sim apontar a uma questão preocupante: quando que, em nosso cotidiano, paramos para nos silenciar? Quando cessamos a nossa pressa a fim de ouvir a Deus, refletirmos sobre a nossa vida, sobre a nossa família, sobre os nossos erros?

Pensamos: “na Igreja, aos domingos!” – Será mesmo?

Deixamos que o mundo e suas propostas tomassem parte das nossas vidas. Estamos mergulhados e somos aliciados a viver aos moldes de uma sociedade hedonista, onde em todas as ações tomadas o “sentir-se bem” é a lei maior, ávidos por saciar os nossos desejos a todo custo. E o que há de mais incômodo para uma alma nesse estado que o silêncio?

O silêncio está para a alma assim como a chuva, a terra e o sol estão para a semente plantada. Uma vez plantada a semente em terra boa, sob a condição climática ideal, ela crescerá e produzirá frutos. Assim também é a nossa alma. Uma vez que nos dispomos a nos colocar na presença de Deus, no silêncio, em recolhimento, permitimos e criamos a condição ideal para ouvirmos a Sua voz, que alimenta a nossa esperança e nos faz crescer na fé.

O Angelus, de Jean-François Millet

O Angelus, de Jean-François Millet.

É certo que no silêncio Deus nos fala, que O podemos encontrar. E isso nos garante as Sagradas Escrituras, como no encontro de Elias com o Senhor no monte Horeb, em que Este não se encontrava no vento impetuoso, nem no fogo, nem no terremoto, mas sim no murmúrio de uma brisa ligeira. Santo Ambrósio advertia: “O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio”. Ainda munidos de tantos exemplos e exortações, nos deixamos levar facilmente pelas propostas de uma sociedade assinalada pelo ruído, que busca a todo momento nos distrair com suas seduções.

Chegamos a tal ponto que a Santa Missa – lugar e ocasião em que, a priori, deveríamos preservar pelo silêncio sagrado – é muitas vezes onde se incentiva e pratica o barulho e a algazarra na tentativa de agradar o povo, de afagar as suas paixões mediante uma participação litúrgica que não leva a uma ascese e a uma adoração mais profunda a Deus, mas promove justamente o contrário, a satisfação do próprio ego.

O Papa emérito Bento XVI, o magno, na exortação apostólica Verbum Domini, ressalta a importância do silêncio ao dizer que “a grande tradição patrística ensina-nos que os mistérios de Cristo estão ligados ao silêncio e só nele é que a Palavra de Deus pode encontrar morada em nós”… e que “as nossas liturgias devem facilitar esta escuta autêntica”.

Ora, como escutar a Deus diante de tanta balbúrdia? A despeito do que se vê nas liturgias das paróquias Brasil afora e também do barulho da civilização moderna, somos chamados, nós, homens que levantam a bandeira de Cristo, que buscam viver o evangelho e assumir as suas consequências, a sermos sinais de Cristo no mundo. Que São José, patriarca do silêncio, interceda por nós; e assim como Cristo, aprendamos da sua escola a conservarmos o silêncio em nossa rotina, a fim de que O encontremos em cada atividade e sejamos reflexos da paz e da ordem que emana de seu coração.


Sobre

Mineiro, filho de São José, que me acolheu em sua 'carpintaria' em Bagé/RS para ser instruído e guiado por seu servo, o Padre Cléber Eduardo.


'O Diabo Busca o Barulho, Cristo, o silêncio!' possui 5 comentários

  1. 21 de novembro de 2015 @ 12:22 cleusa souza de oliveira

    muito boa essa matéria !! eu gosto muito do silencio ,trabalho fora, no meio de muito barulho as veses sinto muita nescessidade de estar na presença de Deus , não vejo a hora de chegar em casa pegar a bíblia e me silenciar !! faço isso muito tambem penso assim quanto barulho nesse mundo quando é tão bom ficar no silencio falar com Deus ouvir Deus !! fiz um retiro de silencio aqui na minha cidade ,foi o primeiro ,a partir dali ainda desejei mais o silencio , não consigo mais conviver com tanto barulho !! meu prazer é quando estou em silencio na presença de Deus

    Responder

  2. 21 de novembro de 2015 @ 23:49 Valéria

    Sou leitora assídua dos textos que vocês publicam. Muito bom este texto sobre o silêncio, procuro sempre meditar sobre sua importância. De São José esta virtude pode ser imitada, e nós, mulheres, a podemos buscar espelho na Virgem Mãe. Se minha vocação for o matrimônio, dedicarei muitas horas ao dia no ensinamento destas boas práticas aos meus filhos. Um abraço a todos e continuem firmes na condução deste site, pois é preciso resgatar nossas santas tradições.

    Responder

  3. 23 de novembro de 2015 @ 21:53 ana

    hoje pude vivenciar a importância do silencio na minha vida e deus sabe muito bem…
    o silencio e a espera ..

    Responder

  4. 16 de janeiro de 2016 @ 21:33 Pe. Leonardo

    Certa vez disse Marta Robin: “O silencio não dá Deus, mas Deus se dá no silêncio”
    Ó silencio bendito, como te desejo!
    Como és difícil
    Tanto mais difícil, quanto mais necessário.

    Muito obrigado amigos Homens [e mulheres] Católicos

    Responder

  5. 17 de julho de 2016 @ 12:08 Lucas Rodrigues

    Realmente santas palavras! Tenho cultivado nos últimos tempos em buscar o silêncio diante do sacrário assim como dizia São Josémaria e sei o fundamental diferencial que tem sido em minha vida! Forte Abraço

    Responder


Gostaria de compartilhar seus pensamentos?

Seu endereço de email não será publicado.

"Um varão católico não pode esquecer esta ideia-mestra: imitar Jesus Cristo, em todos os ambientes, sem repelir ninguém."

Homem Catolico

Confortare et Esto Vir.