O primeiro combate do homem católico: A carne


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“Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”.

João 12: 24

“Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam”.

Mateus 9:17

Homens, nesses tempos de hedonismo e vaidade, de fuga das próprias obrigações e busca dos prazeres, urge lembrar do primeiro combate que o homem católico deve combater: a carne.

Nossos odres são velhos: a graça de Deus é o vinho novo, mas tão logo a recebemos no batismo, tão logo a restauramos pela confissão, tão logo a elevamos de forma sublime na Eucaristia… pecamos. Nos afastamos de Deus: basta uma palavra forte num mau momento, um olhar indevido, um mau pensamento… esse precioso tesouro carregamos em vasos de barro, como dizia o Apóstolo (II Coríntios 4:7).

O mesmo Paulo nos lembra e ensina o que é essa “carne”, que não é apenas nosso corpo físico: envolve também nossas más paixões. São Paulo lista as obras da carne: “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes” (Gálatas 5:19-21).

Ora, parece uma lista de atividades hoje tidas como eminentemente masculinas não é? A imagem de um homem “macho” pregada pelo mundo muitas vezes é o do beberrão, que resolve tudo no tapa, libertino que tem várias amantes e vive uma sexualidade desregrada (e há quem confunda isso com virilidade!)…

Esse é um escravo da própria carne. Escravo das próprias paixões. Na mesma carta aos Gálatas, Paulo irá falar da liberdade dos filhos de Deus. O homem é livre, o homem católico é temente a Deus e se prostra diante d’Ele. E prostrar-se diante de Deus permite que esse homem não se prostre diante de mais nada. Para gozar dessa liberdade, é necessário que o grão de trigo morra e dê frutos.

Ascese é o nome do combate à carne, que se dá por renúncia e mortificação, aliadas à vida de oração. Ascese é o jogar o odre velho no lixo e construir um odre novo. Ascese é o grão de trigo a morrer.

Nossas paixões são como um cavalo arredio – são fortes e até mesmo impressionantes, mas selvagens. A esse grande garanhão cabe a nós domá-lo, discipliná-lo. Ele não perderá sua potência nem deixará de ser bravo, mas será útil a nós. Assim é com nossas paixões quando mortificadas pelas disciplina ascética: não perdem sua força, mas agora estão submetidas a nós. A ira não morre e nos tornamos frouxos pacifistas: ela é dirigida ao lugar certo – ao ódio e repulsa ao pecado e o demônio. A sexualidade não desaparece e perdemos a masculinidade: ela simplesmente se dirige a seu fim último – a oferta no matrimônio, para frutificar em uma família fecunda, ou a oferta total a Deus, no celibato.

O mesmo acontece com todas as nossas paixões.

Como dar fruto no tempo certo? Como domar esse garanhão selvagem? Como combater o combate contra a carne?

Cristo nos ensina: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24).

Aprendamos a amar a cruz!

O vaidoso arredio e desregrado que as pessoas têm como o “homem” na modernidade é um escravo da seguinte máxima: “Foge da dor, busca ao prazer”. Nós, homens católicos, que nascemos para o combate e queremos lutar contra a carne precisamos aprender a amar a cruz do Senhor. Renunciar a nós e carregar a cruz.

O próprio dia a dia nos dá muitas oportunidades: no trabalho, se entregar diligentemente e obedecer ao chefe em silêncio. Em casa, honrar pai e mãe sem pestanejar ou murmurar, ou ser generoso com a esposa mesmo em momentos difíceis. Aos religiosos, a obediência aos superiores e entrega as tarefas mais desagradáveis. E Nossa Senhora ensina em muitas aparições a abraçar as cruzes inesperadas que nos são impostas – aquele ônibus lotado, a dor de cabeça, o imprevisto que te impediu de algum lazer… são muitas as cruzes do dia a dia.

Mas para finalizar esse texto, busco ajuda de Santo Antônio, o Martelo dos Hereges, grande expoente entre os homens católicos, para nos ajudar com sugestões de penitências. Que ele rogue a Deus por nós, homens católicos, para que travemos o combate contra a carne, e possamos um dia combater ao mundo, e ao demônio.

Dez sugestões de penitências por Santo Antônio:

  1. Renúncia à própria vontade;
  2. Abstinência de comida e bebida;
  3. Rigor do silêncio;
  4. Vigílias de oração durante a noite;
  5. Derramamento de lágrimas;
  6. Dedicação de tempo à leitura;
  7. Trabalho físico exigente;
  8. Ajudar generosamente os outros;
  9. Vestir-se modestamente;
  10. Desprezar a própria vaidade.


Sobre

Carioca, 24 anos, social media, redator e aspirante a congregado mariano. Em tudo: "Ite ad Ioseph"


'O primeiro combate do homem católico: A carne' possui 2 comentários

  1. 15 de dezembro de 2016 @ 10:52 leonardo

    Muito bom

    Responder

  2. 15 de dezembro de 2016 @ 10:53 leonardo

    Muito bom,legal .Que Maria passe a frente. Se puderem colocar algo sobre castidade, agradeceria!

    Responder


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