O Segundo Combate: O Mundo


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“Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno”

I Epístola de São João 5; 19

 

“No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”

Evangelho de São João 16; 33

 

Já vão alguns meses desde nosso primeiro post “O Primeiro Combate do Homem Católico: A Carne”. Pois bem, hoje estamos aqui para falar do segundo combate que todo homem católico deve travar: Contra o Mundo!

Primeiramente é importante frisar que a luta “contra o mundo” não é um ódio a todas as coisas que constituem o mundo “planeta terra”. Não estamos aqui pregando uma guerra contra as pessoas, instituições, a criação… “Mundo” aqui tem a seguinte conotação: todas as máximas, modas e vaidades que apregoam a vida nesse mundo como um fim em si mesmo. Estamos falando de materialismo. De hedonismo. Da busca pela fama. E por fim, de uma fé que ignora a Deus ou O deixa em segundo plano…

Esse mundo (suas máximas, modas e vaidades) foi responsável pela morte de Cristo. O mundo odeia a Jesus. “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo 15; 18-19). Os fariseus e saduceus são um dos retratos do homem mundano – presos a vaidade, ao conforto, ao prestígio e a fama, taparam os ouvidos para o Evangelho e o Messias que supostamente aguardavam, e levaram o Senhor a cruz. O mundanismo também soltou Barrabás – pois o mundo quer um messias “barulhento”, revolucionário e guerreiro, que dá o paraíso na terra, e não o Jesus manso e humilde de coração, que nos promete a vida eterna e nos pede que carreguemos a cruz.

Esse é o mundo contra o qual devemos guerrear – a mentalidade mundana, as modas, o zeitgeist (espírito do mundo, espírito da época, espírito do século…). São Luís Maria nos fala em “O Amor da Sabedoria Eterna” os dez mandamentos do mundo. Ao lado deles, comentamos sobre como isso se dá nos dias de hoje:

1) “Conhecerás bem o mundo” – o que hoje é acompanhar as “novidades do momento”, seguir as modinhas passageiras, indiferente de serem danosas a fé, de serem boas e verdadeiras. Vaidade das vaidades.

2) “Viverás como homem honrado” – apenas na aparência. Sendo que hoje em dia, não importa tanto, como na época de São Luís, parecer “honrado”, no sentido de piedoso, bom. O homem de hoje ganha o mundo quando é um Charlie Harper, “pegador”, que sabe gozar da vida. Esse é o “homem honrado” de hoje

3) “Orientarás bem os teus negócios” – diz São Luís se referindo aos que buscam dinheiro e trabalham pela riqueza sem caridade. Válido para muitos workaholics modernos.

4) “Guardarás bem o que te pertence” – ainda na linha do último. O mandamento da avareza. O homem do mundo não é generoso.

5) “Procurarás sair do anonimato” – isso é extremamente atual, agravado com o advento da internet. Todos buscam a fama, liderança, terem opinião relevante, ou as vezes serem famosos até mesmo por escândalo, só para terem visibilidade.

6) “Procurarás ganhar-te amigos” – muito verdadeiro, ainda mais se tratando do brasileiro “gente boa”. Não buscamos amizades verdadeiras, alicerçadas na caridade e na verdade, mas sim sermos “amigos de todos”. Boas e más companhias, e se tiver que omitir o que é certo pra não incomodar, que seja.

7) “Frequentarás a alta sociedade” – hoje em dia não temos algo como uma “aristocracia”. Os ricos tem grana, não nome e senhorio de terras (na maioria das vezes). Hoje em dia frequentar a alta sociedade seria algo como frequentar a night badalada, andar com beatiful people, o pessoal descolado. Normalmente hoje em dia isso significa um estilo de vida bastante hedonista e desregrado.

8) “Comerás e beberás bem” – e como estamos no século XXI e não no XVII onde viveu S. Luís Maria, o mandamento teria “tenha vida sexual ativa e ‘livre’”.

9) “Não alimentarás melancolias” – resolver todas as tristezas, sofrimentos e cruzes da vida com bebida, sexo, drogas, festas, qualquer coisa… mas nunca perder o sorriso do rosto. Não enfrentar a realidade.

10) “Evitarás a singularidade, a rudeza e a beatice” – trocando em miúdos: não seja religioso, e se for, que seja uma fé “privada”, politicamente correta, sem manifestações externas de religiosidade, sem compromissos reais. De preferência “ecumênica” que aceite que a “sua verdade” não é a única verdade.

Dito isso podemos enxergar que qualquer homem católico coerente está em frontal oposição ao mundanismo. O homem que ouve o esto vir de Davi para Salomão lembra que isso está intrínseco ao: “Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés”. (I Reis 2,3). Para ser homem é preciso abraçar toda lei, preceitos e ensinamentos de Deus, não “negociar” com o mundo.

“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (I Jo 2; 15-17)

Tudo o que há no mundo é concupiscência e soberba. O retrato do “homem” do mundo é esse: ele ostenta, ele tem poder, fama, é muito querido, tem as mulheres que quiser… O filme O Lobo de Wall Street retrata bem isso: Jordan Belfort segue rigorosamente o decálogo de São Luís. É o que muitos dizem ser o ápice do homem – ter todo o prazer que puder e todo o poder que quiser. Obtido na base da esperteza e contra qualquer princípio.

Tão diferente é o retrato do homem católico – cujo modelo é São José pobre, casto, obediente, justo, que deposita sua confiança em Deus só. Esse homem é feliz. Quem viu o filme citado acima lembra de como acaba Jordan Belfort.

Lutar contra um mundo será um passo necessário se você decidiu a ser um homem católico coerente, em busca da santidade. Isso é visível, talvez principalmente, se hoje em dia você se manifestar firmemente no desejo por castidade.

Seus amigos não vão te entender se você deixar um grupo de whatsapp onde troca-se fotos de mulheres… ou no seu trabalho, quando você corta aquele papinho sacana…

Se você opta por um namoro casto, talvez sua namorada não entenda. Se você buscar um matrimônio aberto a vida e um desejo de família numerosa, o mundo irá te chamar de louco. E imagine o escândalo que não é o homem que ouve o chamado a vida celibatária?

O mundo nos odeia, homens católicos. E devemos fazer guerra ao mundo. Como?
“O preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, desconjuntado, esquartejado; não obstante, aqueles que proclamam a fé com fidelidade nos tempos atuais muitas vezes devem pagar outro preço: ser excluído, ridicularizado” (Bento XVI).

Precisamos abraçar o sentido sobrenatural do desprezo, nos unirmos a Cristo que foi caluniado e desprezado. Lembrar daquelas benditas palavras: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. (Mt 5; 11-12). Para isso, uma vida de oração, em especial a meditação do santo terço é fundamental.

Pautar-se na Verdade e se enamorar dela também: eu recheio os textos com passagens bíblicas e trechos de santos e papas exatamente para mostrar como a Verdade é uma luz que ilumina nossas vidas. Cerquem-se disso, leiam, meditem e amem tudo isso.
Não tenham medo de renunciar séries, filmes, livros, músicas… enfim, tudo aquilo que seja mundano e te obrigue a uma vida incoerente. É libertador! E cedo ou tarde terá que ser feito se você decidir-se imitar a Cristo. Ele se dá inteiramente aos que O buscam e Ele é dá cem vezes mais.

Por fim lembre-se – o testemunho de um homem católico que nada contra a correnteza arrasta multidões. Lembre-se que esse combate pode fazer com que aqueles ao seu redor vejam Cristo em você, e quando você ver, seu irmão, seu colega te trabalho, seu pai… estarão seguindo a Cristo contigo. Ele te fará apóstolo.
Coragem, homens católicos! É tempo de fazer guerra!

P.S: queres ser escravo do Senhor e não escravo do mundo (que é uma cruel escravidão…)? Consagre-se inteiramente a Nossa Senhora, segundo propõe S. Luís em seu “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Você verá os frutos se for fiel a essa devoção.


Sobre

Carioca, 24 anos, social media, redator e aspirante a congregado mariano. Em tudo: "Ite ad Ioseph"


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"Um varão católico não pode esquecer esta ideia-mestra: imitar Jesus Cristo, em todos os ambientes, sem repelir ninguém."

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