O Vício em Pornografia se Agrava


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“Assistir [a pornografia gratuita] apenas aguça seu apetite por mais”, disse Seltzer. “Uma vez que consomem o material gratuito, eles mudam para serviços pagos.”

Traduzido por Felipe Melo.

Você já pensou por que produtores de pornografia paga se mantêm nos negócios quando há tanta pornografia disponível de graça? Como Wendy Seltzer – advogada e professora da Yale Law School – explicou, a resposta é bastante simples: uma vez que os usuários de pornografia são fisgados, eles querem mais e mais. “Assistir [a pornografia gratuita] apenas aguça seu apetite por mais”, disse Seltzer. “Uma vez que consomem o material gratuito, eles mudam para serviços pagos.” [1]

Feliz para produtores de pornografia, esse padrão não deve mudar tão cedo, já que a razão para isso está dentro do cérebro.

Pesquisadores sobre a pornografia descobriram que os usuários se adéquam ao material que consomem – eles se acostumam, e a pornografia deixa de excitar. Por quê? Porque a resposta de prazer do cérebro diminui. [2]

Quando uma pessoa se excita com material pornográfico, seu cérebro libera uma substância chamada dopamina, que causa prazer [3]. Quando a dopamina age no cérebro, deixa para trás um rastro criado pela proteína iFosB (pronuncia-se delta-fos-b) [4], que conecta a excitação ao ato de ver pornografia [5]. Basicamente, a dopamina diz “isto é bom; vamos lembrar de como repetir”, e a iFosB trabalha para estabelecer uma conexão que facilite o processo [6]. Quando isso acontece com comportamentos saudáveis, é algo bom, mas é problemático quando ocorre com comportamentos nocivos.

Screen-Shot-2014-08-15-at-10.32.59-AMO problema é que, ao ver pornografia, o cérebro de uma pessoa é bombardeado com altos níveis de dopamina. Como um cérebro saudável não está acostumado a isso, sua reação é eliminar alguns receptores de dopamina, que são responsáveis por fazerem o cérebro saber que a substância está presente [7]. Com menos receptores, a dopamina perde seu efeito – e, então, a pornografia que antes excitava passa a aborrecer [8].

Muitos dos principais pesquisadores do cérebro acreditam que, uma vez que o cérebro de um usuário de pornografia começa a eliminar receptores de dopamina, existe a necessidade de um aumento considerável da substância para que o mesmo prazer de antes seja experimentado; para obtê-lo, os usuários fazem uso de mais pornografia, com maior freqüência, ou de material mais explícito [9]. Veja, não é apenas a excitação que faz com que a dopamina aumente. O cérebro também libera a substância quando se depara com algo novo, chocante ou surpreendente [10]. Isso explica porque usuários de pornografia consomem cenas cada vez mais pesadas [11]. Além disso, em virtude da alta tolerância desenvolvida a material excitante, muitos usuários combinam a excitação sexual a arroubos de agressividade [12]. Esse é o motivo pelo qual tanto da pornografia hardcore é cheia de cenas de agressão física a mulheres [13]. Essa é também a razão pela qual muitos viciados em pornografia rapidamente começam a se interessar por coisas que costumavam causar-lhes aversão ou que consideravam moralmente erradas [14].

Além de precisar de material mais pesado, muitos viciados passam a desejar pornografia com maior freqüência [15]. Isso acontece porque os níveis de iFosB aumentam à medida que ocorre essa enxurrada de dopamina [16]. Quanto mais iFosB, mais o cerébro do usuário o força a consumir pornografia, mesmo que o material não os agrade [17].

À medida que o vício se aprofunda, usuários não apenas se tornam mais impulsivos, tendendo a ceder mais à vontade de consumir [18], mas também se tornam mais inclinados a fugir de situações estressantes através da distração temporária oferecida pela pornografia [19].

E, quanto mais recorrem a isso, tanto mais os mecanismos cerebrais se aprofundam, tornando o ciclo cada vez mais difícil de ser quebrado [20].

CITAÇÕES

[1] Schwartz, J. P. (2004). The Pornography Industry vs. Digital Pirates. New York Times, February 8.

[2] Pitchers, K. K., Vialou, V., Nestler, E. J., Laviolette, S. R., Lehman, M. N., and Coolen, L. M. (2013). Natural and Drug Rewards Act on Common Neural Plasticity Mechanisms with DeltaFosB as a Key Mediator. Journal of Neuroscience 33, 8: 3434-3442; Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721; Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 105; Paul, P. (2007). Pornified: How Pornography Is Transforming Our Lives, Our Relationships, and Our Families. New York: Henry Hold and Co., 75.

[3] Hedges, V. L., Chakravarty, S., Nestler, E. J., and Meisel, R. L. (2009). DeltaFosB Overexpression in the Nucleus Accumbens Enhances Sexual Reward in Female Syrian Hamsters. Genes Brain and Behavior 8, 4: 442–449; Bostwick, J. M. and Bucci, J. E. (2008). Internet Sex Addiction Treated with Naltrexone. Mayo Clinic Proceedings 83, 2: 226–230; Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 108; Mick, T. M. and Hollander, E. (2006). Impulsive-Compulsive Sexual Behavior. CNS Spectrums, 11(12):944-955; Nestler, E. J. (2005). Is There a Common Molecular Pathway for Addiction? Nature Neuroscience 9, 11: 1445–1449; Leshner, A. (1997). Addiction Is a Brain Disease and It Matters. Science 278: 45–7.

[4] Nestler, E. J. (2003). Brain Plasticity and Drug Addiction. Presentation at Reprogramming the Human Brain Conference, Center for Brain Health, University of Texas at Dallas, April 11.

[5] Hilton, D. L. (2013). Pornography Addiction—A Supranormal Stimulus Considered in the Context of Neuroplasticity. Socioaffective Neuroscience & Psychology 3:20767; Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721.  Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 108.

[6] Hilton, D. L. (2013). Pornography Addiction—A Supranormal Stimulus Considered in the Context of Neuroplasticity. Socioaffective Neuroscience & Psychology 3:20767.

[7] Hilton, D. L., and Watts, C. (2011). Pornography Addiction: A Neuroscience Perspective. Surgical Neurology International, 2: 19; (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3050060/) Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721; Mick, T. M. and Hollander, E. (2006). Impulsive-Compulsive Sexual Behavior. CNS Spectrums, 11(12):944-955; Nestler, E. J. (2005). Is There a Common Molecular Pathway for Addiction? Nature Neuroscience 9, 11: 1445–1449.

[8] Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721; Zillmann, D. (2000). Influence of Unrestrained Access to Erotica on Adolescents’ and Young Adults’ Dispositions Toward Sexuality. Journal of Adolescent Health 27, 2: 41–44.

[9] Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721; Zillmann, D. (2000). Influence of Unrestrained Access to Erotica on Adolescents’ and Young Adults’ Dispositions Toward Sexuality. Journal of Adolescent Health 27, 2: 41–44.

[10] Paul, P. (2007). Pornified: How Pornography Is Transforming Our Lives, Our Relationships, and Our Families. New York: Henry Hold and Co., 75; Caro, M. (2004). The New Skin Trade. Chicago Tribune, September 19; Brosius, H. B., et al. (1993). Exploring the Social and Sexual “Reality” of Contemporary Pornography. Journal of Sex Research 30, 2: 161–70.

[11] Layden, M. A. (2010). Pornography and Violence: A New look at the Research. In J. Stoner and D. Hughes (Eds.) The Social Costs of Pornography: A Collection of Papers (pp. 57–68). Princeton, NJ: Witherspoon Institute; Cline, V. B. (2001). Pornography’s Effect on Adults and Children. New York: Morality in Media; Zillmann, D. (2000). Influence of Unrestrained Access to Erotica on Adolescents’ and Young Adults’ Dispositions Toward Sexuality. Journal of Adolescent Health 27, 2: 41–44; NoFap Survey http://www.reddit.com/r/NoFap/comments/updy4/rnofap_survey_data_complete_datasets/

[12] Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 112.

[13] Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 112.

[14] Paul, P. (2010). From Pornography to Porno to Porn: How Porn Became the Norm. In J. Stoner and D. Hughes (Eds.) The Social Costs of Pornography: A Collection of Papers (pp. 3–20). Princeton, N.J.: Witherspoon Institute.

[15] Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 108.

[16] Nestler, E. J. (2008). Transcriptional Mechanisms of Addiction: Role of DeltaFosB. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences 363: 3245–56. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2607320/)

[17] Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself. New York: Penguin Books, 108.

[18] Mick, T. M. and Hollander, E. (2006). Impulsive-Compulsive Sexual Behavior. CNS Spectrums, 11(12):944-955.

[19] Goldstein, R.Z. and Volkow, N. (2002). Drug Addiction and Its Underlying Neurobiological Basis: Neuroimaging Evidence for the Involvement of the Frontal Cortex. The American Journal of Psychiatry 159: 1642–52.

[20] Angres, D. H. and Bettinardi-Angres, K. (2008). The Disease of Addiction: Origins, Treatment, and Recovery. Disease-a-Month 54: 696–721.



Sobre

Mineiro, filho de São José, que me acolheu em sua 'carpintaria' em Bagé/RS para ser instruído e guiado por seu servo, o Padre Cléber Eduardo.


'O Vício em Pornografia se Agrava' possui 1 comentário

  1. 26 de setembro de 2015 @ 10:47 Johnny

    Assustador. Não tem muito mais o que dizer… que o bom Deus nos ajude.

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