Pace cum Gaudium


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É preciso educar a imaginação. O segredo de muita coisa está nisto. Tem muita gente por aí cheia de bons propósitos, que já conseguiu apreender sobre a busca de bens mais altos, mas não consegue nunca aplicar concretamente estes princípios na vida por causa de uma imaginação permeada por tendências mundanas e de cosmovisão distorcida, o que faz a vontade entrar em ruína novamente. Não adianta o rapaz ou a moça terem bons propósitos se quase todas as imagens que eles possuem de “vida normal” são pautadas por séries de TV fúteis e da mediocridade do ambiente em que vive.

As potências concupiscíveis e irascíveis lidam de forma diplomática com a inteligência e vontade, existe o domínio dessa últimas sobre as primeiras, mas é um domínio diplomático e trabalhado e não despótico e automático, e por isto mesmo exige certo treinamento e terapia psíquica e espiritual. Isto é algo custoso e de execução gradativa e homogênea, mas não se consegue avanços sem:

1- Uma boa ambiência de amigos que realizem uma cooperação mútua na busca de fins próximos e comuns e uma familiaridade intelectual bem estabelecida, daí brotará o amor que terão uns pelos outros na sua ordem devida dos bens.

2- enriquecimento literário tanto na sua dimensão vertical(vida dos santos) e tanto na dimensão horizontal de vidas imperfeitas, degradantes, ou justas, mas não plenamente realizadas, para ter certo conhecimento de circunstâncias não palpáveis aprioristicamente, e isto a literatura universal pode nos dar. Isto confere experiência e faz com que se evitem muitos erros que possam não ter conserto num ponto de vista meramente temporal. Ainda erraremos, mas bem menos.

3- recolhimento e guarda dos sentidos, a fim de não dissipá-los, mas concentrá-los para produzir uma integração nas faculdades superiores, condição indispensável para adquirir a verdadeira liberdade, com raíz no espírito, e condição possibilitante para alcançar o estágio seguinte.

4- Produção da virtude no mundo seja nos aspectos do “facere”(artes e técnicas e demais ciências exteriorizantes) e no aspecto do “agere”(ciências noéticas e interiorizantes), realizando a devida subordinação essencial das primeiras às últimas.

5- Tecer a alma com oração ininterrupta dedicando momentos exclusivamente a isto e coroando todas as atividades a ponto de fazer do seu ofício sempre uma sacrifício para Deus, com uma intenção sobrenatural, como se em cada atividade, estivesse sempre a se administrar os bens de um Pai Amorosíssimo para entregá-lo de volta de acordo com o que Ele pensou em sua noção original, deduzindo esta pelo esforço em alcançar sua qualidade técnica, moral e doutrinal, na medida de nossas reais possibilidades. Ao fazer isto, os atos são elevados ao patamar da Graça, e sempre nos trarão a Lembrança de Deus.

6- Frequência aos Sacramentos, e aos atos litúrgicos tradicionais, onde há sempre a atualização ritual da Ação Divina no mundo exterior e interior. Sem isto, nada podeis fazer.

A vida de gente deve ser assim. Deve buscar ser preenchida abundantemente com estas seis etapas. Com o tempo, alcança-se aquilo que o Cristo dá em certo momento aos Apóstolos, chama-se “Paz”, que não se confunde jamais com a paz mundana, que é sempre provisória, caduca, e superficial. Mas a Paz de certa passividade às moções do Espírito, após ter máxima atividade sobre o mundo, sem se tornar um arremedo, um estilhaço dele; Paz que se reflete em certa impermeabilidade com relação aos fenômenos, o mundo passa a doer menos e o critério de perturbação não serão mais as contrariedades da jornada e adversidades daqui, mas sim o distanciamento ou afastamento de Deus.

Ambiência, florescimento, recolhimento, produção da virtude, lembrança de Deus, vida sacramental= Pace cum Gaudium.

Sempre foi assim que ensinaram e viveram os Deificados e Doutores.

 

Texto generosamente concedido pelo amigo André Abdelnor Sampaio, o próprio autor.


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