Paternidade em um mundo anti-filhos


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“Você sabe o que causa isso?” “Nossa, vocês têm um bocado.” “Fecharam a fábrica, né?” “Vocês vão encher o planeta” “São todos seus?” “Você consegue bancar todos eles?”

Estas são apenas algumas das perguntas que você ouvirá de completos estranhos se você tiver mais filhos que a média nacional aprovada de 1.7 (no Brasil é de 1.9, segundo o IBGE) [1]. E isso não inclui aqueles olhares maldosos e risinhos na sua direção. Vocês já devem ter ouvido falar da postura corporal de homens que se sentam com as pernas abertas no transporte público ou gordofobia, considerados os últimos ultrajes na nossa cultura politicamente correta. Bem, hoje eu gostaria de adicionar um novo item a essa lista: filhofobia.

Perece espantoso que uma pessoa realmente queira ter mais de 2 filhos. Pressupõe-se que o terceirocertamente foi um acidente. Digo, é fato que filhos te deixam pobres, certo? Eles custam muito dinheiro, não custam? Além disso, eles são uma ameaça ao meio ambiente!

FILHOS SÃO O MÁXIMO

Esqueça o que a cultura diz. Filhos são o máximo. Não há nada que se compare a ter duas miniaturas de homens correndo até a porta gritando “Papai!” no momento em que eu entro em casa. Poucas coisas podem se comparar à felicidade de ter bracinhos em volta do meu pescoço, ou ouvi-los dizendo, “Eu te amo, papai”. Ou ver o seu garoto com o boné para trás imitando um jogador de beisebol. Ou lutando ferozmente com guerreiros de brinquedo.

É uma alegria poder ajudar aquele pequeno ser a descobrir o mundo — explorar, aprender, a maravilhar-se diante de quase tudo. É maravilhoso assisti-los exibindo um bigode de leite e dizer, “Eu tenho uma barba igual a sua!”. Tem também as leituras antes de dormir, frases engraçadíssimas ditas com toda seriedade do mundo, construções de torres imensas com tijolos, vê-los juntar as mãozinhas em oração e ouvi-los dizer o quanto amam a Jesus e Maria. Acreditem, eu poderia dar muitos outros exemplos.

A paternidade é assustadora às vezes, sim, mas na maior parte do tempo, é maravilhosamente feliz. Há momentos em que me sinto cheio de gratidão por tudo isso.

É claro que há momentos de estresse, e frustração, e sacrifício também. Os lençóis molhados; a teimosia em comer comida, ainda que esteja perfeitamente boa; as fraldas cheias; as birras; as idas ao pronto-socorro; despesas inesperadas; gripe e infecções de ouvido; gritos de guerra durante a consagração na Missa —você pode imaginar. E eu não tenho dúvidas de que na medida em que eles crescerem, as dificuldades só vão aumentar. Não há amor sem dor. É assim que as coisas funcionam num mundo caído. E como pais mais experientes se apressariam em me lembrar, eu estou apenas começando.

FLECHAS NAS MÃOS DE UM GUERREIRO

Um dos salmos que eu aprendi a amar é o 127. Ele dá grandes conselhos sobre como confiar a Deus os seus trabalhos e os bençãos que Ele te deu. Mas a minha parte favorita é o final, que diz que os filhos são um presente, não uma maldição:

“Sim, os filhos são a herança de Iahweh, é um salário o fruto do ventre! Como flechas nas mãos de um guerreiro são os filhos da juventude. Feliz o homem que encheu sua aljava com elas.”

Gabriel Hahn (Filho do Dr. Scott Hahn) e sua família.

Gabriel Hahn (Filho do Dr. Scott Hahn) e sua família.

Sacou? Aquele que tem muitos filhos é feliz. Nós acabamos de descobrir que o bebê número três está a caminho, e acredite, é verdade — eu não poderia estar mais feliz. Mal posso esperar para receber essa nova vida. Homens, filhos não são coisas pelas quais você deve se desculpar ou se envergonhar. Eles são presentes preciosos com os quais nos regozijamos. Eles são tão lindos e elegantes quanto flechas nas mãos de um hábil e poderoso guerreiro. Só é necessário apontá-los para o Céu.

Concluindo, não deixe que o mundo roube a alegria da paternidade. Ignore os haters. Sim, você provavelmente teria uma casa maior ou um carro mais maneiro se não tivesse mais filhos. Mas quem se importa? Qual a vantagem de se ter uma casa vazia de risos e alegria? E um carro não retribuirá o amor que você deu a ele, não importa o quanto seja legal dirigi-lo. Eu fico com uma casinha repleta de crianças e uma van enferrujada com vários assentos. Sério.

Homens, celebrem seus filhos. Tenham muitos deles. Amem, dediquem seu tempo e atenção a eles, rezem por eles, invistam, mas, acima de tudo, valorizem seus filhos. Outras bênçãos passarão, mas os filhos são uma recompensa que durará para sempre.

Autor: Sam Guzman (fundador e editor do site The Catholic Gentleman)
Texto original: “The more the merrier: Fatherhood in an anti-kid world”
Tradução: Aline Galhardo.
Imagem em Destaque: Brad Tombers.
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[1] No Brasil, segundo o Censo 2010, as mulheres têm, em média, 1,9 filho. Como este número é uma média, existem mulheres com um filho e mulheres com dois, três ou mais filhos. O número de filhos por mulher vem se reduzindo no Brasil desde a década de 1960. Uma redução que vem ocorrendo em todas as regiões brasileiras. (Disponível em  7a12.ibge.gov.br . Acesso em 09/02/2016).



Sobre

Publicitário cearense, 33 anos, casado e pai. Minha maior busca: conhecer sempre mais o quanto sou amado por Deus e dar a Ele uma generosa resposta de gratidão, vivendo as constantes renovações que Ele me concede. | Totus tuus ego sum Mariae et omnia mea tua sunt!


'Paternidade em um mundo anti-filhos' possui 1 comentário

  1. 13 de agosto de 2016 @ 13:01 Aldo Roberto

    Realmente, em minha quarta paternidade alguns amigos ficaram espantados com a notícia, mas a felicidade que eles me trazem é imensurável.

    Responder


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