Paternidade: o chamado, o ofício e a cruz


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O texto que reproduzo abaixo foi originalmente publicado em The catholic gentleman
e gentilmente traduzido por minha amiga Aline Galhardo.
Esqueça os pais que você vê na televisão: egoístas, viciados em trabalho, ausentes, intimidadores, influenciáveis. Eles não merecem esse título. Ser pai de verdade é algo maior que isso. É algo tão grande quanto Nosso Pai que está no Céu.
O chamado a ser um pai católico é um chamado a sofrer – como marido, como pai, como católico. Assim como Cristo é a cabeça da Igreja, o pai católico é a cabeça de sua casa, e sua cabeça é coroada de espinhos. Não se trata de se promover. Trata-se de entregar sua vida pela sua família. A paternidade é assustadora. Mas é também fabulosa, e é por isso que devemos mostrar a paternidade católica para um mundo que se esqueceu para que serve um pai.
O CHAMADO
Deus criou a paternidade com um propósito. Ele tem afirmado esse propósito através dos tempos, de Adão a Noé, a Abraão, a Davi e de São José ao Nosso Pai que está no Céu. O pai Católico é chamado a cumprir quatro responsabilidades, particularmente: adorar a Deus, proclamar o Evangelho, ensinar e manter a fé, e administrar os canais da Graça. Em outras palavras, o trabalho do pai é litúrgico, evangélico, doutrinal e pastoral. Ufa! Isso é um bocado. Vamos analisá-los um de cada vez.
Litúrgico
Pais, guiem suas famílias através da adoração. Seus filhos foram criados para gozar da mais adorável Trindade através da adoração. E Deus criou a família como um lugar especial para que O adoremos. Liturgia vem de uma palavra antiga que significa “trabalho público’, e esse é o meio pelo qual católicos conduzem a adoração. Não pense que a liturgia da televisão, ou a liturgia das noites a mais no escritório, ou a liturgia das intermináveis atividades extracurriculares não está moldando a alma de seus filhos. As pessoas estão sempre cultuando algo, e sua família não será a exceção. O que está sendo cultuado no seu lar? O sucesso e o entretenimento, ou será que é Deus? Como pai, seu primeiro trabalho é dar forma e direção ao culto no seu lar. Faça um pequeno oratório, lembre-se do jantar à mesa e torne isso sagrado e preencha seu lar com a liturgia da oração. Reúna toda a família e deleitem-se na glória de Deus.
Evangélico
Pregue o evangelho à sua família. Se necessário, use palavras – e lembre-se que palavras quase sempre são necessárias. O tipo forte e silencioso pode soar bem a um cowboy, mas não a um bom pai. Um pai silencioso é um crime contra Deus e o próprio homem. Deus criou o mundo por meio de palavras, Cristo proclamou o Reino com sua boca, e esses lábios que Deus te deu não foram feitos para cuspir sementes ou se embriagar comwhiskey. Não podemos adorar a Deus se não O conhecemos. Então, o segundo ofício do pai católico é o de proclamar a boa nova de Jesus Cristo. Pregue o evangelho no seu modo de viver e com palavras. Veja bem! O eterno Filho de Deus se tornou um filho de Adão, nasceu de uma filha de Eva, morreu, e ressuscitou, para nos salvar do poder do pecado e da morte, para nos tornar partícipes da vida de Deus! Pais, evangelizem suas famílias. Contem-lhes a maravilhosa história de Jesus todos os dias. Façam-no a partir do pressuposto de que ninguém mais será capaz de fazê-lo por vocês.
Doutrinal
Eu sei. Eu sei. Você não é nenhum teólogo, é melhor deixar que os profissionais cuidem da doutrina, você é um homem muito ocupado. Essas são desculpas esfarrapadas. Se você é capaz de ser um vendedor ou um mecânico, se você consegue acompanhar os resultados dos jogos de basebol e ler o jornal diariamente, você tem o que precisa para esse ofício. Você é batizado? O Espírito Santo está rugindo dentro de você, como um urso esperando para acordar? Seus filhos foram batizados, porém agora eles devem saber o que é o Batismo — O que é preciso renunciar, acreditar, e fazer. Então, o terceiro ofício do pai católico é o de ensinar a fé. Você tem o privilégio de ensinar seus filhos em que devemos ou não crer. Pais, guiem suas famílias no conhecer a Deus. Mostre a eles que a doutrina é encantadora. Abra as Escrituras e a Tradição. Anuncie as grandes verdades da nossa fé católica.
 
Pastoral
Sua família necessita da graça, e o quarto ofício do pai católico é o de administrar essa graça. Os sacramentos são ministrados pelos ministros da Igreja, mas cada católico tem alguma responsabilidade pelos canais da graça. É em você — não no seu vizinho, mas em você — que sua esposa e filhos experimentarão e verão que o perdão de Deus é real, que o amor de Deus os faz livres, que eles são amados. Pergunte a eles como você pode rezar por eles. Diga-lhes pelo que você está rezando por eles. Chame-lhes a atenção quando pecarem, e esteja pronto para perdoá-los assim como Deus o faz. Leve-os à Sagrada Eucaristia, à catequese, à capela do Santíssimo Sacramento, ao confessionário. Seja o primeiro a ficar de joelhos e o último a se levantar. Deixe a porta do seu escritório aberta, atenda ao telefone, e esteja pronto para dar um abraço de urso bem apertado e um beijo com a barba por fazer. Somente você pode ser o pastor do seu lar.
Veja, você é o papai urso, o patriarca, o pater-familia. Deus o está chamando para arregaçar as mangas e ir à luta. Você vai bocejar e abrir uma outra garrafa de cerveja, ou vai atender ao apelo?
O OFÍCIO
Cara, essa coisa toda de ser pai não foi uma ideia de um fanático branco da Idade do Bronze1.O patriarcado é a ideia brilhante de Deus — que se destina a ser igualmente brilhante. Como marido, você é chamado a irradiar o amor cruciforme do Filho à sua esposa. Como pai, você é chamado a revelar o amor do Pai aos seus filhos. Existem pelo menos três habilidades que todo pai católico deve dominar: ouvir, liderar e ser vulnerável.
Ouvir
O pai católico não sai por aí fazendo proclamações e dando sermões. Ele não faz com que tudo gire em torno de si mesmo, como a tarefa de casa das crianças ou as férias da família, por exemplo. A habilidade mais útil que todo pai deve dominar é a de ouvir. Ouça o que sua esposa e filhos estão tentando dizer a você. Faça perguntas. Pergunte sobre o dia deles. Celebre seus talentos e interesses. Seja lento para falar e rápido para ouvir.
Lidere
O pai católico não é jogado de um lado para o outro de acordo com a moda ou desejos aleatórios. Ele lidera. Um bom líder não abusa de seu poder, mas usa-o para servir. Revista-se como um homem real, e lave a louça. Lembre-se do motivo pelo qual Deus te deu músculos, e leve o lixo para fora. Honre sua esposa e sirva-a. Estime e proteja seu corpo e sua alma. Ela é sua rainha, e você deve tudo a ela. Trabalhe incessantemente pelo bem-estar de sua família. Seu trabalho é o de dar alimento, abrigo, roupa, amor paterno. Fique a sós com Deus e reze. Sacrifique-se por sua família num sacrifício vivo. Acima de tudo, guie-a na oração.
 
Seja vulnerável
Na maioria das vezes, quando as pessoas dizem “seja vulnerável” significa ser honesto sobre suas fraquezas, aberto sobre a sua dor. Essa vulnerabilidade é boa, mas há um tipo igualmente importante: a vulnerabilidade da alegria. É assustador permitir que outros vejam o que você ama. É preciso coragem para se levantar e dizer: “Uau! Isso é lindo!”. A razão número um por que as crianças não vão à Missa é porque seus pais não vão à missa, e mesmo quando o fazem, eles não deixam essa alegria transparecer. Não há lugar no Reino de Deus para pais estóicos que mantém tudo a panos quentes. Uma das melhores habilidades do pai católico é a vulnerabilidade. Seja honesto sobre quanto você ama o Deus trino. Esteja aberto sobre o quanto você O adora no Santíssimo Sacramento, quanto você ama sua Mãe, como você está tomado pela graça extraordinária. Pais, arrisquem ser alegres.
Deus criou a paternidade pela mesma razão que levou Thomas Edison a inventar a lâmpada — para ser luz. A paternidade deve ser um farol para o mundo, uma tocha do amor e da autoridade, uma vela de devoção ao nosso único e verdadeiro Pai que está no Céu. Então, não mantenha essa luz embaixo de um cesto.
A CRUZ
As pessoas estão se entupindo de formas baratas de amor. Seus corações estão famintos de amor, e isso se deve (principalmente) porque seus pais não estão dando amor da forma como deveriam — a suas esposas, a seus filhos. O modelo de pai veiculado pela cultura pop é do tipo barato, descartável, cruel ou superficial. Eles não merecem esse título. É tempo de mostrar o que é a verdadeira paternidade: a cruz.
Você que é o homem da casa? Você pensa que é o chefe? Então ajoelhe-se como um escravo, como o Filho de Deus e comece a lavar os pés de sua família. Esse não é o momento de falar sobre sua felicidade e liberdade, como se você mesmo fosse o centro das atenções. Esse é o momento de se humilhar para que sua esposa e filhos sejam exaltados. Essa é a oportunidade de entregar sua vida. E é por isso que a paternidade católica é assustadora. Mas é também por isso que ela é tão importante, e por isso precisamos mostrá-la para um mundo que se esqueceu para que serve um pai.
Liderança não é uma licença para usar e abusar. Liderança é uma coroa de espinhos ensanguentados. Você é a cabeça do lar, como Cristo é a cabeça da Igreja, e isso significa que você precisa usar uma coroa de espinhos.
Essa coroa resume o que é a paternidade. O pai Católico é chamado a ser oblação, a se doar, a ser um sacrifício vivo. Sua vocação é sofrer — como marido, como pai, como católico. E isso é bom. Aquele que quiser salvar sua vida, vai perdê-la, mas aquele que perder a sua vida, vai encontrá-la. A paternidade é a sua cruz.
Pais, Jesus está olhando nos seus olhos e dizendo: “Siga-me.”
A pergunta é, você vai tomar a sua cruz?

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Católico, marido e pai.


'Paternidade: o chamado, o ofício e a cruz' possui 3 comentários

  1. 17 de julho de 2018 @ 08:33 Roberto ataide

    Um dos textos mais incríveis que já li! foi como se estivesse lendo uma carta de orientação vinda do próprio Espírito Santo…

    Responder

  2. 17 de julho de 2018 @ 11:28 Gustavo Firmo

    Valeu, Gustavo! Essa é a nossa principal vocação como pais: amar nossas cruzes. E isso é muito bom!

    Responder

  3. 20 de julho de 2018 @ 17:16 Alcimir

    Vou ser vulnerável e dizer que estou com lágrimas nos olhos depois de ler esse texto. Ele resgata a dignidade do pai, do homem, do cristão.
    Muito obrigado.

    Responder


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