Por que rio do que desagrada a Deus? (reflexões sobre Deadpool)


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Esse texto contém spoilers sobre Deadpool. Se você planeja assistir ao filme, está por sua conta e risco. Porém esperamos que, após esta leitura, você repense seriamente o que consome como entretenimento.

Na época do horroroso filme “Cinquenta Tons de Cinza”, muitos católicos manifestaram o asco por um filme que glorificava o sadomasoquismo. Existe um entendimento entre muitos cristãos de que nem todo o entretenimento convém. Isso é verdadeiro e muito bom. Bento XVI mesmo recordou, na canonização de Frei Galvão, que devemos “dizer não aos meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento”1.

O problema é que se isso foi óbvio para algo tão escandalosamente maligno como o referido Cinquenta Tons, a linha ainda é muito tênue para coisas vistas como “aceitáveis”, como o recente filme da Marvel.

Deadpool não é um herói, é um anti-herói. É um anti-herói da Marvel famoso pela sua “irreverência” e que possui o poder de se regenerar. Seu filme está fazendo um grande sucesso e quebrou alguns recordes de bilheteria, e o fato de um anti-herói estar sendo tão bem sucedido diz muito sobre a nossa atual cultura…

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Deadpool não é um herói

Deadpool contém uma boa dose de cenas de sexo (sua namorada era prostituta e ele é tido no filme como um “viciado em prostitutas”). Contém cenas de nudez frontal (em uma cena numa boate de striptease). Deadpool contém referências “cômicas” ao vício da masturbação do início ao fim do filme (ele não esconde que isso é um passatempo para ele, e volta nesse tópico várias vezes ao longo do filme, chegando mesmo a aparecer por alguns segundos na telas o “herói” se “entretendo”).

Não é apenas o apelo sexual do filme que é questionável. No ápice do filme, Deadpool está com uma arma apontada para a cabeça do vilão e Colossus, um X-Man, começa um discurso sobre o heroísmo, chamando sua atenção para que não desperdice a chance de poupar um inimigo e agir como um herói. E Deadpool simplesmente não espera Colossus terminar de falar e estoura a cabeça do seu inimigo, arrancando muitas risadas da plateia e dizendo ao Colossus: “Você não parava a lenga lenga!”. No clima cômico do filme, talvez tenha passado despercebido para muitos, mas o personagem acaba ridicularizando a misericórdia… no Ano Santo da Misericórdia.

Com tudo isso, ainda assim, muitos católicos (especialmente entre o público “nerd”) compareceram em peso às bilheterias. Provavelmente comentaram algo como: “Teve algumas cenas desnecessárias, mas é um filme muito bom”. Muito bom? Será que somos tão pouco críticos?

Vamos nos ater a um ponto: as diversas piadinhas aludindo à masturbação. Diante da tela, no calor do momento, podemos estar rindo com o público dos comentários “sujinhos” de Deadpool, mas nós, homens católicos, sabemos o que é a realidade. Sabemos que é um pecado que vicia muitos, altera o cérebro e a maneira de olharmos as mulheres e a forma que nos relacionamos com elas. Que é um pecado mortal, que mata a alma, destrói nossa capacidade de amar plenamente e nos separa da graça de Deus.

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Por que somos tão pouco críticos com entretenimento?

Estamos rindo de algo que leva pro inferno. Sinceramente, isso é saudável?

Não queremos aqui impor uma lei; dizer “não assistam Deadpool se vocês são católicos”. Devemos nos propor uma reflexão mais profunda: Por que eu, no momento de consumir livros, filmes, séries, música e entretenimento… deixo de lado minha moralidade? Por que me atrai piadinhas sujas, por que não me incomoda histórias onde sexo casual é apenas uma anedota divertidinha, que dá margem a piadas, como algo que “faz parte da vida”?

Por que, em suma, eu rio do que desagrada a Deus?

Sabemos que a um cristão não convém certas coisas, como assistir a alguns filmes ou ouvir certas músicas. Mas o que devemos examinar é: Por que a ideia de renunciar a isso me incomoda? Por que me faz falta essa forma de entretenimento? Por que isso me atrai?

Irmãos de apostolado, nossa cruzada é pela pureza! Mostrar ao mundo que o homem não é uma besta. Então que possamos nos revestir de Cristo e deixar que Ele nos conquiste. Não queremos apenas renunciar a certas formas de entretenimento. Queremos desprezá-las! Que nosso coração seja atraído pela pureza e seja repelido pelo que é pecaminoso. Assim o jugo será suave e o fardo leve.

Que em todas as coisas Cristo reine em nossas vidas. Incluindo nossos divertimentos.

AMOR À VIRTUDE. ÓDIO AO PECADO.
_______
[1] Santa Missa de Canonização de São Frei Galvão



Sobre

Carioca, 24 anos, social media, redator e aspirante a congregado mariano. Em tudo: "Ite ad Ioseph"


'Por que rio do que desagrada a Deus? (reflexões sobre Deadpool)' possui 61 comentários

  1. 24 de fevereiro de 2016 @ 10:27 Fábio Simmermam Felipe

    Obrigado pela sua reflexão. De fato, sempre tem aquela hora em que a tentação diz: “agora relaxe um pouco”. Talvez o erro esteja em ver a luta pela santidade como um fardo apenas, e não como uma busca amorosa de agradar a Deus e conquistar a sua própria realização. Valeu!
    PS: mas um Capitão America, o que acha?

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 11:00 Daniel Alves

      Que bom que o texto te levou a refletir Fábio. É essa a proposta: responsabilidade. Precisamos gozar das coisas sem deixar a consciência de lado.

      Sobre Capitão América? Po, ele tem diversas virtudes humanas que podemos tirar dali. E muitos outros heróis.
      A Marvel tem muitos bons filmes. Particularmente o último X-Man, Dias de um Futuro Esquecido, me tocou quando o jovem professor Xavier dialoga com velho.

      Responder

      • 24 de fevereiro de 2016 @ 19:45 Michel

        Amor à virtude, ódio ao pecado.
        Essa frase parece coisa de fundamentalista e ou extremista…

        Responder

        • 24 de fevereiro de 2016 @ 23:14 Daniel Alves

          Não se ama algo de verdade se não lutamos contra o que possa ameaçá-lo.
          Saia das impressões e “isso parece coisa de…” e seja honesto consigo mesmo.
          Ódio ao pecado é totalmente diferente de odiar o pecador. Ao pecador, amamos.

          Responder

          • 28 de fevereiro de 2016 @ 12:52 Alice Maria

            Excelente

          • 3 de março de 2016 @ 00:35 Leonardo Fabri

            Já dizia o Santo Doutor Agostinho de Hipona, “mostre o quanto odeias o mal e sabereis o quanto és bom!”, portanto, Daniel Alves está corretíssimo.

        • 1 de março de 2016 @ 07:55 Pe. Pedro

          O pecado destroi aquele que o faz e ou recebe a acao pecaminosa, na alma ou no corpo. Pensar ser fundamentalista e bom pois e sinal que ha um fundamento, base no que e dito, mas extremista, ai ja e satanico aquele que assim o pensa.

          Responder

  2. 24 de fevereiro de 2016 @ 10:34 Daniel Neto

    Excelente texto. Excelente reflexão. Vi ao trailer e fiquei incomodado. O texto só reforça o que pensei acerca do filme. Parabéns.

    Responder

  3. 24 de fevereiro de 2016 @ 12:27 Eduardo

    Parabéns pela firmeza de Proposito e pela expressão do mesmo em um mundo tão invertido . Deus continue guiando sua vida.

    Responder

  4. 24 de fevereiro de 2016 @ 12:28 V

    Não venho por meio deste procurar ofender algum tipo de opinião alheia a minha, entretanto gostaria de fazer alguns comentários a respeito do texto em questão. Em primeiro lugar, devemos compreender a construção desse anti-herói, que no seu texto ficou completamente vazia e sem sentido. O personagem inicialmente foi criado como uma mera paródia de outros 2 personagens da DC, transformando personalidades heroicas no oposto completo disso. Nesse processo de conceituação e concepção do personagem os criadores inseriram todos os quesitos que foram tratados no texto. Dentro dessa perspectiva, você não deve encarar Deadpool como algo sério, algo que vá tirar como exemplo para sua vida e muito menos considerar suas atitudes como certas ou erradas, não porque elas se encaixam num patamar acima do bem e do mal, mas pelo simples fato de ser uma abordagem proposital e muito mais crítica, para não dizer até verossímil, dos heróis idealizados em nossa cultura. Se qualquer indivíduo entrar em contato com qualquer tipo de obra, seja ela de qualquer ramo da arte ele encontrará algo que o desagrade ou desrespeite suas convicções particulares e também se deparará com ideias que se assemelham as suas. Assim sendo, julgar esse filme como um mero escárnio da sua própria idealização de Deus é um tanto estranho, ainda mais para alguém que acredita que o correto é desprezar o filme, mas que encerra o texto com a frase: “AMOR À VIRTUDE. ÓDIO AO PECADO.” Bem, se o ódio em si já é considerado pela religião algo errado, como então ter ódio pelo pecado seria algo lógico dentro da perspectiva cristã? Além de revelar hipocrisia revela contrassenso. Eu não pretendo ser “o” entendido, no entanto, a compaixão para com o “pecador” parece ser algo mais sensato do que o ódio. Por favor, não espalhem esse tipo de ideia sem o conhecimento e sem as críticas necessárias, pois não ver um filme porque não gosta é algo comum, mas critica-lo com base unicamente na sua própria fé sem as devidas observações é ignorância. Isso vale para qualquer obra vinculada a qualquer arte.

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 15:03 Daniel Alves

      Prezado, vale alguns apontamentos aqui:

      – Obrigado pela contextualização do Deadpool. Desconhecia a origem.

      – Eu posso sim julgar suas atitudes como certas ou erradas. Temos critérios, temos uma moralidade, temos mandamentos.

      – “Se qualquer indivíduo entrar em contato com qualquer tipo de obra, seja ela de qualquer ramo da arte ele encontrará algo que o desagrade ou desrespeite suas convicções particulares e também se deparará com ideias que se assemelham as suas”. Negativo. Posso concordar absolutamente com uma peça artística (penso muito rapidamente no filme “Os Miseráveis”. É uma beleza!), mas também posso não tirar nada de bom de alguma.

      – “Bem, se o ódio em si já é considerado pela religião algo errado, como então ter ódio pelo pecado seria algo lógico dentro da perspectiva cristã?” – O ódio não é considerado errado na religião católica. Deus nos deu o ódio. Ódio ao pecado, como foi dito, ódio ao demônio… “a compaixão para com o ‘pecador’ parece ser algo mais sensato do que o ódio” – não confunda ódio ao pecado (aos atos maus, as obras más) com ódio ao pecador. Somos chamados a amar o pecador, mas odiar o pecado.

      – “mas critica-lo com base unicamente na sua própria fé sem as devidas observações é ignorância” – Meu amigo: a minha fé, a fé católica em Cristo é “luz para meus passos”. Tudo na vida deve ser julgado com base na fé. A fé católica tudo abarca (“católico” vem do grego e significa o que abarca o total), e a reflexão que o texto propôs é exatamente essa: – por que o entretenimento “fica de fora”? Por que me divirto com coisas que – pensando racionalmente – ferem minha fé?

      Deus o abençoe

      Responder

      • 24 de fevereiro de 2016 @ 15:52 V

        Bom, agradeço pelo espaço e também pela resposta, apesar de não concordar muito com o que fala ainda assim, o respeito. Só queria fazer um pequeno adendo, quando me referi ao contato com as artes talvez não tenha sido tão claro, pois acredito que a relação com qualquer tipo de arte, de fato, te trás algum benefício, basta pensar que o conhecimento que ela vai agregar a sua vida, mesmo como forma de crítica, de reafirmar sua posição contrária, já é sim, um ganho. Não quis dizer que encontrará sempre um meio termo em tudo. Com relação ao ódio, eu não consigo imaginar uma única situação em que ele possa corresponder a algo bom, haja visto que se o próprio Lúcifer foi muito próximo de Deus, assim como Judas de Jesus. Então diante da própria literatura católica acho complicado reafirmar essa posição.

        Abraço.

        Responder

        • 24 de fevereiro de 2016 @ 16:01 Daniel Alves

          “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12)

          Precisamos odiar ao mau. Não existe verdadeiro amor ao bem sem um proporcional ódio ao mau.

          Deus o abençoe.

          Responder

        • 24 de fevereiro de 2016 @ 16:38 Maurício Borges

          Irmão, entendo a sua crítica. Entretanto, a fé cristã não vê o ódio como algo oposto ao amor… Não é como se houvesse um ideal de ódio e um ideal de amor, e os dois fossem concorrentes. Só existe o amor. O ódio é a falta deste amor. Seria errado dizer que não se deve amar o pecado?

          Isso inclusive nos leva a uma reflexão mais profunda sobre o nosso caminhar do dia-a-dia. Quando não temos a pretensão de fazer o bem por todas as pessoas (amá-las), estamos fazendo o mal a elas (odiando-nas).

          Talvez estejas confundindo o ódio com o rancor, que de fato é uma caracterização emocional da falta de amor.

          Responder

          • 24 de fevereiro de 2016 @ 17:29 Daniel Alves

            Não meu amigo. O oposto do amor não é o ódio. O contrário de amar – e amar é doar-se – é usar.
            Odiar o que fere ao amor – o pecado fere ao amor, o demônio é o inimigo do amor – é apenas consequência natural do amor.

          • 25 de fevereiro de 2016 @ 07:38 Alan Ribeiro Fernandes

            Sobre o ódio ao pecado, eu penso que é o único sentimento que nos afastará do mesmo. Pois como posso ser tolerante ou conivente com aquilo que mata? Como olhar uma pessoa morrendo na rua por causa das drogas e não odiá-las? Já ao pecador, esse cabe sempre a misericórdia. Pois, diz a palavra, todo aquele que é amigo do mundo se torna inimigo de Deus, sendo assim quem é amigo de Deus torna-seautomaticamente inimigo do mundo ( pecado, demônio, tudo que me afasta de Deus).

        • 25 de fevereiro de 2016 @ 22:09 Jordana

          Vê-se que nem conhece a natureza humana.
          Quando Jesus diz que devemos nos renunciar, você acha que Ele é um sádico que gosta de ver a gente descontente por nao fazer nossa vontade?
          A nossa natureza tem más inclinações por conta do pecado.
          Por isso devemos vigiar e orar pra nao cair em tentação. Foi Cristo quem disse.
          Se nós queremos seguir a Cristo,pois cremos que esse Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, é coerente seguirmos suas diretrizes, pois partimos do pressuposto que Ele sabe TUDO!
          O que eu,como cristã católica, vou querer assistindo um filme que desperte pensamentos de pecado gratuitamente em mim? Já não bastam os pecados pessoais que cometo todos os dias?
          E quanto ao ódio ao pecado não há nada mais cristão que isso. Ou vc acha que os Santos mártires preferiram morrer a concordar com o que ia contra a fé em Cristo e na Igreja por que?
          Não existe amor sem odio ao pecado, pois não há nada pior que a condenação de uma alma ao inferno. Portanto se eu amo alguém eu odeio com todas as minhas forças o pecado que a escraviza!

          Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 08:06 Savio

      Só reforçando o já dito, o autor não está propagando Ódio ao pecador (pessoa), como vc disse, mas ao pecado (ação), ou seja, ódio ao ato errado, oras, ódio ou repugnância ao que é errado não significa fundamentalismo, você caí no erro ao tentar argumentar a favor do filme contra-atacando o cristianismo sem argumentação, não critique algo que não vive.

      Responder

      • 25 de fevereiro de 2016 @ 17:10 V

        Primeiro, você não sabe quem aqui vive ou não o cristianismo e ao contrário de atacar o cristianismo em favor do filme eu apenas defendo qualquer tipo de expressão em detrimento do tipo de critica que foi feita aqui, pois acredito ter sido desnecessária e descontextualizada. Você não sabe se sou cristão, ateus, muçulmano, etc, como pode julgar minhas palavras como crítica ao cristianismo? Só demonstra que não entendeu nada do comentário. Outra coisa, quando falei o “ódio ao pecador” ou “ódio ao pecado” quis me referir a qualquer tipo de ódio, não foi algo direcionado ou má interpretação do que foi escrito. Acho completamente injusto desvincular uma obra daquilo a que ela se propõe e foi nisso que fundamentei minha ideia. Porque se for analisar da forma como essa analise foi feita, você pode literalmente, condenar facilmente 90% da literatura mundial por não fazerem referências explicitas aquilo que você quer ouvir.

        Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 12:25 Amilton

      Eu sinceramente trocaria a palavra ódio ,por nojo ao pecado , sera que faze mais sentido?
      Isso é oque devemos ter, nojo do pecado
      Até uma semana antes da estréia do filme,eu estava muito ansioso para velo, mas depois de ver vários treilers, decidi não acistir,
      Por zelo ao tempo em que estamos, e por saber que no próximo filme deadpool, (poderá ser ) um tipo de homen no qual se relacionaria com qualquer pessoa, não importando se seria Mulher, Homen, transsexual ou o que fosse, todos sabemos que se pode esperar tudo de deadpool
      Não se sinta ofendido, mas o Daniel deixou claro, não à uma proibição em questão ao filme, e sim uma reflexão sobre o tipo de conteúdo contido nele
      Sei que uma crítica seria construída, por conta de eu ter visto o primeiro filme, se nele também existiram cenas impróprias , ou seja, então porque não ver o segundo se viu o primeiro
      Um grande abraço

      Responder

      • 25 de fevereiro de 2016 @ 13:21 Maurício Neto

        Esta é uma reflexão de São Josemaria Escrivá sobre o Santo Rosário seguido de um comentário de um filho espiritual. (Está em português de portugal.)

        «A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens…, as minhas também. E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!… Que propósitos!».

        São pensamentos – e acções – do «autor implícito» no texto; que ao mesmo tempo é uma personagem mais da cena, junto com o leitor-personagem; e que tem correspondência com o «autor empírico» na vida real. Não se trata, obviamente, de três pessoas distintas, mas de três instâncias semióticas diferentes do texto; três funções diferentes, que neste caso, convergem ideal ou intencionalmente. Mas voltemos à reacção. Há uma comparação explícita entre a vida e virtudes de Maria e as do autor do livro (e personagem na cena). Fruto dessa comparação sucedem-se uns movimentos internos no autor-personagem. Concretamente, duas paixões: a vergonha e o ódio ao pecado; e uns propósitos, que o autor não explicita, mas que logicamente serão de emenda. As paixões referem-se ao presente; os propósitos, ao futuro.

        A vergonha é, segundo Aristóteles (Retórica, 1383b 15), «uma pena e perturbação acerca dos vícios presentes, passados ou futuros que levam a perder a honra». A vergonha sente-se perante alguém, talvez ante a Virgem. À vergonha sucede outra paixão: o ódio ao pecado. E ao ódio sucedem os propósitos: decisões da vontade. Há pois, um movimento interno na pessoa como fruto da contemplação. Um movimento interno que afecta a conduta posterior, fora da contemplação e do tempo de leitura: uma mudança na vida real. Mas não só no autor; também no leitor. O leitor segue o autor; é também uma personagem da cena e é afectado pela mesma estratégia do discurso. Do mesmo modo que conhece as paixões e impurezas dos homens pode sentir vergonha ao comparar a sua própria vida com a pureza da Virgem, odiar o pecado e mudar de vida. Neste sentido, o exemplo do amigo é uma ajuda, e um modelo de actuação tal como é sugerido pelo discurso. Não obstante, trata-se duma decisão pessoal.

        Responder

      • 25 de fevereiro de 2016 @ 23:13 Renato

        Santo Tomás de Aquino, quando trata das paixões, diz que nenhuma delas é boa ou má, e lista onze. Amor e ódio são as duas primeiras. O ódio não é mau, depende do objeto do ódio. Devemos amar o irmão. Mas não existe amor ao pecador sem ódio ao pecado. Quem ama alguém precisa odiar aquilo que destrói esse alguém. Eu devo odiar o pecado e o demônio. Devo usar a minha ira contra o pecado e contra o demônio, e o meu amor com as pessoas. Se eu não odeio o pecado, se não detesto o mal, como posso ser uma pessoa boa? Jesus mesmo teve a santa ira diversas vezes, amou os pecadores, sem nunca deixar de odiar o pecado. O ódio é um desgosto pelo mal. Se deixarmos de odiar o mal, logo perderemos nossos “anticorpos” que nos ajudam a lutar pela santidade. Amar o bem e odiar o mal são dois lados de uma mesma moeda chamada coerência. Não posso amar o bem e o mal ao mesmo tempo, nem odiar o bem e o mal ao mesmo tempo.

        Responder

    • 27 de fevereiro de 2016 @ 10:58 Gabriel Mendonça.

      O engraçado e ver uma pessoa como você querer construir um texto onde tenta simplesmente mascarar o que verdadeiramente e repassado para os telespectadores. O filme ataca sim a moral e virtude Cristã e assistilo afeta sim o dia-a-dia de um Cristão, não existe isso de assistir algo sem se basear em seus valores!!! Se deixar levar por comentários e ideias como a sua é o que tem destruído o respeito a Deus e aos bons costumes! É por isso que hoje vemos tantas alterações de valores e uma falta de apego ao que agrada a Deus!

      Responder

  5. 24 de fevereiro de 2016 @ 12:39 Sander

    Reflexão bacana. Algo interessante a ser observado é o número de católicos que não vê problema nesses entretenimentos, nem mesmo na QUARESMA! Falta temperança nos dias atuais, os cristãos estão todos doentes de acídia, como já nos mostrou S. Tomás. Acídia é a preguiça de santidade, o pensar que não vale a pena largar esses divertimentos mundanos por Deus… Usamos nossa lógica humana e realmente, parece não compensar. Aí é que tantos ficam em cima do muro. Mas vale a pena lembrar o que está escrito em Apocalipse 3: 15 – 16 :” Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
    Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.”
    A paz de Cristo!

    Responder

  6. 24 de fevereiro de 2016 @ 14:01 Guilherme

    Olá amigo. Parabéns peço texto. Eu concordo que devemos realmente filtrar bem as coisas que assistimos para não nos expormos a muita coisa errada e que gera pensamentos errados.

    Porém, neste filme, eu entendi que este comportamento e atitudes do personagem são mais uma sátira aos super heróis, que prezam pela vida e moralidade (não todos). Deadpool é uma figura sarcástica, promíscua, egocentrica e egoista: no caso, tudo que um herói não deveria ser. O vilão que atua como mocinho de vez em quando pro conveniência.

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 15:06 Daniel Alves

      Guilherme, exatamente.
      “Deadpool é uma figura sarcástica, promíscua, egocentrica e egoista: no caso, tudo que um herói não deveria ser” – então por que ver esse personagem que é “tudo o que um herói não deveria ser” glamourizado num filme me diverte? Me entretém? Me faz rir?

      É essa a reflexão. Sob a luz da minha fé, por que eu gosto disso?

      Responder

      • 25 de fevereiro de 2016 @ 00:02 Thiago

        “Sob a luz da minha fé”, por que não deveria gostar? Sendo isso somente entretenimento que tem como história este anti-herói e eu sendo suficientemente inteligente para discernir o certo do errado, não seria eu capaz de apreciar essa representação de uma história (ou um personagem) sem achar que os exemplos que este personagem dá são certos?

        Responder

        • 25 de fevereiro de 2016 @ 07:08 Daniel Alves

          Thiago, o erro de muitos se resume a achar que a questão gira em torno do “Ah! É só não tomar isso como exemplo pra mim”.
          A reflexão proposta aqui não é essa.
          A reflexão é – se eu acho que os exemplos desse personagem são errados, se eu sei que o filme em questão “glamouriza” e deixa “divertido” esses mesmos atos, por que isso me parece ATRAENTE como entretenimento? Por que é para nós opção de entretenimento coisas que naturalizam ou tornam jocoso elementos que afrontam nossa moral e que sabemos ofender a Deus?
          Isso aplicado a qualquer filme/série/leitura/música. O objetivo desse texto não é “malhar o Deadpool”.

          Responder

  7. 24 de fevereiro de 2016 @ 14:06 Henrique

    O filme é bom fiel aos quadrinhos,ele não é um herói não deseja ser e nunca será, a ideia desde sua criaçāo sempre for ser um desnaturado, louco e viciado em sexo,
    Assistir algo e fazer algo sao coisas diferentes, a melhor forma de vencer um inimigo é conhecendo ele, se vc evitar tudo que a de ruim no mundo como jogará oque é ruim mesmo, e Jesus nunca jugou alguém pelo que fez e sim por sua fé.

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 15:17 Daniel Alves

      – “ideia desde sua criaçāo sempre for ser um desnaturado, louco e viciado em sexo” – e por que nós, cristãos, estamos buscando entretenimento nisso? Por que isso nos atrai? Esse é o ponto que devemos refletir.

      – “Assistir algo e fazer algo sao coisas diferentes, a melhor forma de vencer um inimigo é conhecendo ele, se vc evitar tudo que a de ruim no mundo como jogará oque é ruim mesmo, e Jesus nunca jugou alguém pelo que fez e sim por sua fé”

      Tem tanta coisa errada misturada nesse raciocínio (além de erros de português), mas veja bem:

      * Assistir algo e fazer são coisas diferentes. Tudo bem – ninguém está discutindo os atos de ninguém aqui. Agora, se sou contra o que é retratado de forma “divertida” no filme (afinal devo entender que você não agiria assim, não é?) por que vou buscar minha diversão nisso?

      * “a melhor forma de vencer um inimigo é conhecendo ele, se vc evitar tudo que a de ruim no mundo como jogará oque é ruim mesmo, e Jesus nunca jugou alguém pelo que fez e sim por sua fé”.
      Foi uma pergunta, né? A melhor forma de vencer um inimigo é combatendo ele…mas sim, precisamos conhecê-lo. Por isso Cristo veio ao mundo, nos ensinou quem é nosso inimigo, quais são as suas obras. Por isso a Igreja nos dá ensinamentos, por isso temos um Catecismo…essas são as formas de conhecermos o “ruim”. E assim julgarei o que é ruim – com base no que Cristo me ensinou. E por serem essas obras ruins IREI EVITÁ-LAS. Mas não era esse o ponto da reflexão, só estou esclarecendo as coisas.
      * E não posso deixar de comentar – “Jesus nunca jugou alguém pelo que fez e sim por sua fé”. Verdade, mas a fé só é viva com obras (o que fazemos).

      Responder

      • 24 de fevereiro de 2016 @ 16:08 Airton

        “e por que nós, cristãos, estamos buscando entretenimento nisso? Por que isso nos atrai? Esse é o ponto que devemos refletir.”

        Muitos irmãos estão buscando este entretenimento! Eu também! Você poderia tentar explicar por que isso tá acontecendo?

        Responder

        • 24 de fevereiro de 2016 @ 17:25 Daniel Alves

          Airton,

          As almas são muito diferentes, ensina Santa Teresa D’Ávila. Eu não posso dizer o que cada uma delas vê de atraente nesse tipo de entretenimento.
          Posso dizer, de uma maneira geral, que nossa cultura é muito permissiva e esse clima de permissividade faz com que não vejamos isso como algo grave. “Ah, não vou fazer essas coisas só porque assisti”. Mas isso não explica o porquê de nos atrair, apenas o porquê não vemos nada demais nisso.

          Você medita? Dialoga com Cristo. “Senhor, por que essas coisas não me incomodam? Elas devem me incomodar? Senhor, quero amar o que você ama e detestar o que te desagrada”. A fonte de todo discernimento é diálogo com Deus.

          Responder

  8. 24 de fevereiro de 2016 @ 14:49 Ben-Hur Batista

    Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
    Tiago 4:4

    temos que lembrar frequentemente desse texto pra não cair no erro de se tornar amigo do mundo, bom texto, parabens.

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 16:01 Airton

      Cara eu concordo que o filme não convém! Não tenho sugerido à ninguém assistir! Concordo plenamente que não é exemplo para seguir, mas eu mim envolvi sentimentalmente com o filme, com o personagem totalmente diferente de qualquer outro “super-herói” e quero ver o fruto desse trabalho de mais de uma década. Sei que não vou concordar com muitas coisas do filme, mas vou admirar todo o esforço de quem fez o filme e como eles conseguiram fazer algo que nunca foi feito no cinema.

      Responder

  9. 24 de fevereiro de 2016 @ 14:55 Camila

    Olá, sou cristã não católica, e achei perfeita sua colocação e sua reflexão.
    Entre as moças também se faz necessário esse tipo de pensamento.
    São tantas as vezes que vejo cristãos consumindo determinados produtos da mídia e achando normal, que começo a me perguntar: sou eu que sou quadrada ou eles estão enganados?

    Responder

  10. 24 de fevereiro de 2016 @ 17:28 Marcos H

    Achei fantástico o texto, parabéns, uma linguagem bem direta, não mediu as palavras e foi dócil. Tenho vivido esse dilema a algum tempo, como viver no mundo não sendo do mundo e esse texto iluminou bastante a minha cabeça.

    Que o Espírito continue a te iluminar!

    Responder

  11. 24 de fevereiro de 2016 @ 19:03 Geronimo

    Não quero defender o filme MAS não devemos levar 100% a sério o seu ponto de vista.
    Explico-me:

    Primeiramente, o que torna algo engraçado?
    Uma desarmonia;

    Ver alguém correndo não é engraçado. Ver alguém correndo e de repente tropeçar, é;

    Ou seja, apesar de existir algo que desagrada a Deus no filme, o que nos faz rir é o que acontece de inusitado durante tais atos;

    Sexo desregrado por si só não é engraçado. E as cenas de sexo do filme, por terem a desarmonia citada antes, são engraçadas;
    Veja bem, o que é engraçado é o que acontece de inusitado, não o sexo;

    Portanto, o seu raciocínio, embora tente trazer à luz da razão que não é recomendado assistir ao filme, é falho;
    Ele cita que estamos rindo de algo que desagrada a Deus. Ora, uma desarmonia não desagrada a Deus;

    Quanto à apologia ao sexo e à masturbação, isso não é pecado, é tentação;
    Bem, o filme é pra maiores de 16 anos, o que significa, ou deveria significar, que somente pessoas maduras devem assistir
    ao filme. Bem, se são pessoas maduras, elas sabem discernir o que é sensato absorver ou não.

    O filme não é virtuoso em nenhuma vertente, não tem nenhuma lição de vida, nem mesmo é original!

    É um filme pra ser levado à sério? DEFINITIVAMENTE NÃO! Porque toda a construção do personagem é satírica!
    É um filme que convém ser assistido? TAMBÉM NÃO! E aqui não tiro sua razão de reflexão do post.
    Porém, assistir Deadpool não é pecado. O tomar como exemplo de vida, o é!

    Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 11:20 Daniel Alves

      Geronimo,

      Primeiramente “Quanto à apologia ao sexo e à masturbação, isso não é pecado, é tentação” – veja bem, em nenhum momento entramos no juízo sobre assistir o filme ser pecado ou não. Não sou teólogo moral. Propomos uma reflexão e um exame de consciência pessoal.
      Porém, importante frisar – se faço apologia a isso, peco e peco mortalmente. E se não faço, mas me coloco em tentação (por exemplo assistindo filmes que sei que serão tentação para mim) também peco.

      Sobre sua reflexão quanto ao que é engraçado – a desarmonia – realmente, é engraçado ver uma pessoa tropeçar mas não correr. Porém se eu vejo uma pessoa tropeçar e perder a perna, o fator triste, pesado e mórbido (a perda de um membro) TIRA A GRAÇA da desarmonia.

      O ponto é – será que o pecado não deveria ser para nós um fator triste, pesado e mórbido? Mais do que perder um membro, alguém está perdendo a alma. Os olhos não vêem, só a fé e nossa consciência, por isso não é tão óbvio e por isso demanda uma reflexão de nossa parte. E essa é a proposta do texto: refletir o porquê de acharmos graça em certas coisas.

      Responder

  12. 24 de fevereiro de 2016 @ 19:31 Lorena

    Daniel, bom trabalho cara!

    Responder

  13. 24 de fevereiro de 2016 @ 19:49 Alan Marcos

    Galera, quero parabenizar vocês pelo texto. Realmente ficou muito bom e claro. Precisamos de mais reflexões e análises como estas, pois “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Escrevam mais sobre estes assuntos.
    Que Nossa Senhora oriente esse apostolado. Fiquem na paz.

    Responder

  14. 24 de fevereiro de 2016 @ 20:16 Débora Maria Cristina

    Ótima reflexão! Isso me fez lembrar todos os filmes da série “todo mundo em pânico” e muitas “comédias românticas” que sempre tem apelo sexual ou uma cena de sexo. Isso estraga todo o filme.

    O Jason Evert comentou, em uma palestra na canção nova, que uma vez um pregador perguntou aos seus ouvintes: “qual foi o último filme a que assistiram, em que mostrava a amizade entre um homem e uma mulher sem ter uma relação sexual?” e ninguém conseguiu lembrar de nenhum, a não ser uma pessoa que levantou a mão e disse “procurando nemo”… Chegamos a um ponto em que até um comercial de desodorante tem que sensualizar…

    Responder

  15. 24 de fevereiro de 2016 @ 21:30 Isis

    Assistir o filme. Ate gostei e tals e agora to me sentindo uma péssima cristã depois desse texto.

    Responder

    • 24 de fevereiro de 2016 @ 23:09 Daniel Alves

      Não deve se sentir uma péssima cristã. Se está agora repensando a sua forma de se entreter, isso é ótimo.
      Se pergunte diante de Deus – “Senhor, por que gosto de certas coisas?” e peça: “Quero amar o que o Senhor ama e detestar o que detesta”. É esse o caminho.

      Responder

  16. 24 de fevereiro de 2016 @ 23:30 Débora

    Daniel, menino, que surpresa boa chegar ao final do texto e ler “aspirante da congregação mariana” hahaha. Ótima reflexão, Parabéns! Salve Maria!

    Responder

  17. 25 de fevereiro de 2016 @ 01:23 Karla

    Paz e bem irmão Daniel!
    Sei que o site é mais voltado para homens… mas acabei vendo pelo facebook
    Quando li seu texto, senti muita vergonha. É uma reflexão profunda com poucas palavras
    Me fez pensar que são detalhes como esses que realmente fazem a diferença como testemunho cristão.
    Assisti muitas séries de heróis com assuntos pesados (Jéssica Jones, Demolidor…) simplesmente porque gosto muito de
    histórias de heróis… por esse motivo, me prestei a passar por várias vezes por cima dos valores da minha fé.
    Eu também assisti Deadpool, por curiosidade, mesmo sabendo que o filme devia ser pesado…
    É lamentável. Como me arrependo…
    Mas nunca é tarde para recomeçar, ainda mais no tempo da quaresma. Agradeço muito pela reflexão, Deus abençoe!

    Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 07:03 Daniel Alves

      Que bom que o texto te fez refletir Karla.

      Precisamos de um discernimento também. Pro nosso entretenimento.
      Veja bem, o fato de haver coisas ruins, não torna o filme ou série ruim em si. A questão é como o mal é apresentado. No caso de Deadpool, a reflexão surgiu porque o vício é retratado de maneira natural e até divertida.
      O caso de Demolidor acho diferente (pelo menos nessa primeira temporada). Há dilemas morais abordados de forma bastante humana. O Matt Murdock é um herói que aceita as consequências de seus atos, e o mal não é visto como algo natural ou desejável.
      Use como critério isso – como o bem e o mal se apresentam. Não acho que seja ofensivo a fé uma série sobre um homem que quer livrar sua cidade do mal. Especificamente o Demolidor ainda tem a questão de ser um católico confesso.

      Responder

  18. 25 de fevereiro de 2016 @ 01:51 alexandre martins

    parabéns pela lúcida análise, “aspira” Daniel.
    Salve, Maria!

    Responder

  19. 25 de fevereiro de 2016 @ 07:30 Alan Ribeiro Fernandes

    Um bom critério que sempre uso é pesquisar sobre o filme antes de assistir. Ler comentários e críticas. No caso desse, um único trailer já era suficiente para ver que seria pesado. A natureza do anti-herói é podre.
    Na vida no geral precisamos ter cuidado com a “moda do mundo”, normalmente o que recebe muito aplauso no mundo, especialmente no tempo em que vivemos, são valores anti-cristãos.

    Responder

  20. 25 de fevereiro de 2016 @ 08:25 Jéssica

    O próprio cartaz do filme me incomodou, de certa forma já faz apelo para sexualidade

    Responder

  21. 25 de fevereiro de 2016 @ 10:16 Jason Freitas

    Olá Daniel, bom dia.

    Seu texto é muito bem escrito, concordo com vários pontos e discordo de muitos outros. Tenho 36 anos de idade, atuo na caminhada da Igreja desde os 15 anos, já vi e vivi algumas coisas, e sobre seus questionamentos, talvez tenhamos pontos de vista diferentes, enfim.

    O que gostaria, é pedir que você, como bom escritor, futuramente elaborasse um texto abordando temas como corrupção, consciência política para um cristão, ética e moral cívica do cristão enquanto cidadão. Tem uma turma que o acompanha, e acredito que seria de grande valia levantar estas questões aos jovens da Igreja.

    A grande impressão que fica (ao menos para mim) é que grande parte da mídia Católica (Web, Rádio e TV) vive dentro de uma bolha, dentro de sua própria “Oz” ou “Nárnia”. Com tudo que tem acontecido em nosso país, nada se fala, dando a impressão que seu público Cristão são apenas meras “Alices” vivendo em seu “País das Maravilhas”.

    Não falo entrar em questões partidárias, mas na questão “Moral” da situação, como um todo, como uma nação, como uma comunidade.

    Mais uma vez parabéns pelo texto e pela reflexão.

    Errata: Deadpool não é um filme da Marvel Studios, é da FOX. O Personagem é da Marvel, porém, seus direitos cinematográficos foram vendidos na década de 80 quando a Marvel quase veio à falência. A Marvel Studios hoje pertence ao grupo Disney, o qual, devido ao seu perfil de público, talvez não abrace a ideia de filmes com classificação 18+.

    Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 11:40 Daniel Alves

      Obrigado pelos elogios Jason.

      O apostolado Esto Vir é de formação para homens (nossa proposta é essa). O texto foi feito pois muitos homens – homens católicos inclusive, que têm a santidade por meta – não são nada críticos quanto ao que assistem e se sentem atraídos no entretenimento por coisas que afrontam muitas vezes aquilo que eles professam na vida e com a própria vida. É importante o exame de consciência.

      Um texto abordando consciência política e virtudes cívicas para o cristão é perfeitamente possível, pois é importante que os homens formem uma consciência e desenvolvam virtudes sociais, e isso faz falta hoje em dia. Mas tal texto requer um estudo e um preparo cuidadoso. Continue acompanhando nosso apostolado que mais dia, menos dia, certamente ele sai.

      Deus o abençoe.

      Responder

  22. 25 de fevereiro de 2016 @ 14:48 Karina Bodart

    Nunca tinha ouvido falar de Deadpool, até meu filho me contar com brilho nos olhinhos que o filme estrearia no cinema.
    Meu filho tem 7 anos e, como quase todo garoto, adora super heróis, mas lá em casa não é terreno fértil para essa curtição, pois os conhecimentos meus e do pai dele não passam do Batman. Ou seja, ele conhece pelos amiguinhos.
    Daí comecei a buscar sobre o personagem e, de cara, vi que não seria uma história adequada para uma criança de 7 anos. Conversei com ele e ele entendeu que não poderia ver o filme, mas ainda assim eu não sabia exatamente do que se tratava o tal sujeito.
    Meu menino, graças a Deus, não fala muito mais sobre o Deadpool. Mas, depois de ler esse texto e de tudo o mais que vi na internet, se ele voltar a tocar no assunto do personagem, vou explicar para ele que, definitivamente, não é um tipo de herói que uma criança de 7 anos deve gostar.
    Agora, a vocês que ainda acham as críticas ao texto exageradas, ponham-se no meu lugar: eu sou mãe, eu tenho um filho que gosta de tudo que leve o nome “Lego”, “Marvel” e “DC Comics”.
    Se eu assisto esse tipo de filme, como vou explicar para meu filho que ele não deve assistir, mesmo se tratando de um “herói da Marvel”?? “Ah, mas tem coisa que adulto pode assistir e criança não!” Sério, tipo, pornografia, funk?! Eu posso consumir pornografia e ouvir funk à vontade e apenas dizer meu filho para não ver/ouvir?
    Então, por mais que o texto pareça radical à princípio, é uma reflexão que devemos fazer sim, até mesmo sobre os programas de TV, os desenhos, ainda que não seja possível filtrar tudo.

    Responder

    • 25 de fevereiro de 2016 @ 16:13 Daniel Alves

      Karina,
      Quem bom que você está atenta ao que seu filho consome. Eu tenho um irmão de 11 anos que disse agora na volta às aulas que um amigo “já viu Deadpool” (que tem classificação pra dezesseis anos).

      Mostra pra ele bons super-heróis. Existem desenhos dos Vingadores ou da Liga da Justiça que são bacanas pra um menino de sete anos assistir acompanhado de um adulto.

      Também considero adequado algumas animações de aventura. Duas que me surgem são “Como Treinar Seu Dragão” e “A Origem dos Guardiões”.

      E não deixe de alimentar a imaginação do seu filho contando histórias boas para ele. Só fará bem.

      Deus os abençoe.

      Responder

  23. 25 de fevereiro de 2016 @ 18:15 Maria Dias

    Valente atitude cristã. Postura apreciável, exemplar, construtiva e de firmeza de princípios. Valeu a dica.

    Responder

  24. 25 de fevereiro de 2016 @ 21:29 j.

    Claro que Deadpool não é um herói, a Marvel mesmo diz que ele é um anti-herói, sobre ser misericordioso, não esperemos isso de um cara que é um mercenário e age como bem entende fora dos padrões heroicos, ele é legal justamente por isso, ele está “dane-se” para tudo e qualquer pessoa com o mínimo de princípios sabe que é algo para descontrair e não algo para levar pra vida.

    O cara é um completo imoral SIM, tá mais do que claro, você não disse nenhuma novidade, mas e daí ele ter atirado no cara enquanto o Colossus fazia o discurso de herói? O Deadpool não é um herói e se vingou do cara que desgraçou a cara e o corpo dele.

    Pra um cristao é óbvio que o filme não presta, mas é algo destinado a uma coisa chamada “entretenimento mundano”, se estamos no mundo vamos acabar pegando algo dele, apesar de que devamos viver pra Deus.

    Responder

    • 8 de março de 2016 @ 10:02 Daniel Alves

      “se estamos no mundo vamos acabar pegando algo dele”

      Se quisermos.

      Nossa meta é a santidade…o que envolve combater o mundo…

      Responder

  25. 2 de março de 2016 @ 11:57 Eduardo Leon

    Excelente, Daniel!

    É muito comum ouvir admoestações deste tipo:
    – Fulano, não fume, isso faz mal, isso vai acabar com você, etc, etc, etc.
    – Fulano, não coma isso, isso faz mal, isso vai acabar com você, etc, etc, etc.
    – Fulano, não beba, isso faz mal, isso vai acabar com você, etc, etc, etc.

    Ao mesmo tempo, não vemos coisas deste tipo:
    – Fulano, você já percebeu qual é o tipo de alimento para a alma e para seu imaginário que tem consumido?

    A perda do senso das proporções chegou a um ponto quase endêmico: Por um lado, vigora uma extrema (e falsa) preocupação com atitudes exteriores e visíveis. Por outro lado, ignora-se completamente o impacto que nosso imaginário gera em nossa vida interior. Só não percebe isso quem não está atento e não presta atenção ao que se passa na própria alma.

    Quanto a questão de “odiar o pecado”, eu me pergunto: qual é a dificuldade que muitas pessoas tem em entender isso? Não só é perfeitamente compreensível, como é algo até mesmo óbvio. Não é possível amar verdadeiramente o bem sem odiar verdadeiramente o mal que nos afasta de Deus. Não há como separar uma coisa da outra. Não há Cristianismo sem cruz, não há vitória sem combate.

    Quem diz que não odeia nada está mentindo ou não conhece a si próprio quase nada. Num mundo cada vez mais politicamente correto, a palavra “ódio” foi esvaziada do seu significado e se tornou uma daquelas palavras que as pessoas temem mais do que a danação de suas almas. “Não odeio nada” significa apenas: “vejam como eu sou uma pessoa maravilhosa, boa, moderada, equilibrada e não sou como estes fanáticos, extremistas, fundamentalistas destes cristãos”.

    Responder

  26. 5 de março de 2016 @ 20:36 Quiz Católico

    Parabéns pelo texto! Que Deus o abençoe sempre, para continuar no caminho da luz. O mundo precisa de pessoas assim.

    Responder

  27. 3 de novembro de 2016 @ 23:31 São José: Exemplo de Homem Puro e Viril – Oração pela Vida

    […] Blog “Homem Católico”: Por que rio do que desagrada a Deus? (Reflexões sobre Deadpool)- http://www.homemcatolico.com.br/reflexoes-sobre-deadpool/. […]

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