Sabedoria mundana, um dos grandes inimigos do homem


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Jamais o mundo esteve tão corrupto quanto nos dias de hoje, também porque nunca foi tão sagaz, tão sábio à sua maneira e tão politiqueiro. Sabe usar sorrateiramente a verdade para inspirar a mentira, a virtude para autorizar o pecado, as máximas de Jesus Cristo para legitimar as próprias, a ponto de conseguir enganar até mesmo as almas mais esclarecidas numa linha de Deus.

Isso foi escrito no século XVIII por São Luiz Maria de Montfort, no livro “O amor da Sabedoria Eterna”, e é incrível como se aplica tão bem aos dias atuais, não é? Para nós, homens católicos, essa cultura mundana, tão avessa ao evangelho de Cristo, é motivo de combate diário. Se continuarmos a leitura, vemos que o santo parece descrever o que encontramos hoje na mídia, na cultura do dia a dia, em muitas de nossas opiniões e conversas, na política, em algumas ideias aparentemente muito nobres na sociedade, nos comportamentos de várias pessoas que se dizem cristãs, e por aí vai. Palavras como amor, justiça, igualdade, Deus, liberdade e tantas outras são prostituídas e deturpadas, em arranjos tão bonitos que fazem muitas pessoas defender os pecados mais hediondos julgando estar fazendo a coisa certa, entorpecendo e anestesiando as mentes numa cultura de contra-valores.

São Luís Maria Grignion de Montfort

São Luís Maria Grignion de Montfort

O sábio do mundo estabelece um secreto e funesto acordo entre a verdade e a mentira, entre o evangelho e o mundo, entre a virtude e o pecado, entre Jesus Cristo e Belial; quer fazer-se passar por honesto, sem sê-lo, nas obras; despreza, interpreta mal ou condena com leviandade todas as práticas de piedade que não vão de acordo com as suas.

Esta sabedoria do mundo tem uma tendência constante para a grandeza e a reputação; tem uma procura permanente e secreta do próprio interesse e prazer, não recorrendo a métodos grosseiros e barulhentos de forma a cometer qualquer pecado escandaloso, mas agindo com finura, com hipocrisia e astúcia; caso contrário – até do ponto de vista do mundo –, não seria sabedoria, mas sim libertinagem.

É verdade que não mentem abertamente, mas disfarçam as suas mentiras sob a aparência da verdade: julgam que não estão a mentir, mas mentem. Geralmente não ensinam o pecado abertamente, mas tratam-no como sendo uma virtude, uma ação honesta, ou então, como sendo uma coisa indiferente e sem consequências. Nessa sutileza, que o mundo aprendeu do demônio para dissimular a fealdade do pecado e da mentira, consiste aquela malignidade de que fala São João: “O mundo inteiro está sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,19), e isto, hoje, mais do que nunca.

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Ditadura do relativismo
Nesse mesmo sentido, o então cardeal Joseph Ratzinger, futuro papa Bento XVI, alertava para uma espécie de ditadura do relativismo 1:

Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançadas de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo, enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.

Cristo, a Verdade
Como ensina o papa Bento XVI, nós temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé.

O auxílio de Maria
São Luís de Montfort ensina que, na luta contra o demônio e a sabedoria mundana que ele inspira, nossa bondosa mãe, Maria Santíssima, é uma poderosa arma dada por Deus. “Ela descobrirá sempre a sua malícia de serpente e porá a descoberto as suas tramas infernais. Dissipará os seus conselhos e protegerá, até o fim dos tempos, os seus servos fiéis contra aquelas garras cruéis” 2.

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Notas:

1. Santa Missa “Pro Eligendo Romano Pontifice” – Homilia do cardeal Joseph Ratzinger (18 de abril de 2005), disponível aqui
2. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria – São Luís Maria Grignion de Montfort


Sobre

Publicitário cearense, 33 anos, casado e pai. Minha maior busca: conhecer sempre mais o quanto sou amado por Deus e dar a Ele uma generosa resposta de gratidão, vivendo as constantes renovações que Ele me concede. | Totus tuus ego sum Mariae et omnia mea tua sunt!


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