Santos “Por quês”: leve as crianças à igreja e deixe que elas encham você de perguntas


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Sua experiência como mãe levou a cantora Paula Toller a compor uma música muito bonitinha chamada “Oito anos”. A letra se inspira nas muitas perguntas que ela ouvia de seu filho Gabriel: “Por que que a gente espirra? Por que as unhas crescem? Por que o sangue corre? Por que que a gente morre? Quanto é mil trilhões vezes infinito? Quem é Jesus Cristo?”

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O psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget, referência no estudo do desenvolvimento infantil, refere-se a esta fase como “período pré-operatório”, quando a criança passa a criar imagens mentais sem que o objeto ou as pessoas estejam presentes. Nessa linha, a pedagoga Jussara de Barros, da Equipe Brasil Escola/UOL, explica que esse período “ocorre devido à construção da própria identidade, que acontece na infância, quando a criança passa a se descobrir, a ter noção do próprio ‘Eu’, da importância de sua existência, das coisas que consegue fazer, que vê ou que ouve. (…) Essa curiosidade, a busca da compreensão do mundo, é que a levará a fazer novas descobertas, aguçando sua percepção para o aprender”.

Para os pais e mães católicos, que assumiram no Batismo de seus filhos a missão de educá-los na fé, a famosa fase dos “por quês” dá muitas oportunidades para anunciar Jesus Cristo e o evangelho aos pequenos. Sendo a principal referência para seus filhos, os pais devem aproveitar essa abertura das crianças para lhes ensinar os preciosos ensinamentos da Palavra de Deus, cumprindo o mandamento que diz: “Que estas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus filhos.” (Dt 6, 6-7a).

Por que o padre está vestido de vermelho hoje? Ele está bebendo sangue de verdade?! Por que a gente tem que se ajoelhar? O que é “rogai”? Por que mataram Jesus? O que é ressuscitar? Por que isso? O que é aquilo?

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Como a compreensão vai se dando aos poucos, a fé também vai aflorando em fases. A criança vê o crucifixo e naturalmente sente medo, aversão, até que vai entendendo aos poucos que aquele Homem deu a vida para nos salvar e a reação passa a ser de dó, curiosidade, admiração, amor. É emocionante e por vezes divertido ver a fé nascendo no coração dos pequenos. De certo modo, eles acabam evangelizando os pais também.

Certo, muitas vezes as crianças dão um trabalhão! Chega um momento em que tantas perguntas irritam e atrapalham. Mas tudo é um processo de aprendizado, o que exige paciência, respeito à curiosidade delas e jogo de cintura para administrar essas perguntas. Em alguns casos a resposta precisará ficar para mais tarde; em outros casos, a própria criança pode ser conduzida pelo adulto a encontrar as respostas; em outros momentos ela faz só por brincadeira e é o caso de estabelecer limites, não às perguntas, mas à forma como fazê-las. “Se a criança é tolhida pelo adulto, no momento em que faz perguntas, poderá perder o interesse, a vontade de descobrir coisas novas, ficando paralisada no seu processo de aprendizagem por medo ou insegurança”, alerta Jussara. À medida que a criança vai compreendendo o mundo à sua volta, as perguntas sobre coisas corriqueiras naturalmente vão diminuindo.

Por isso é importante que, além de se divertirem com bíblias infantis ou rezarem antes de dormir, desde cedo os pequenos participem das celebrações e vivam em comunidade cristã com outras crianças, mesmo que a princípio não entendam ou estejam de má vontade.  Instigados pelas novidades à sua volta, virão muuuuitas perguntas! E como dizia uma campanha do canal de TV Futura, “Não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas!”

Você tem histórias interessantes sobre essa maravilhosa experiência? Conte para nós!

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Referências:

A criança e a fase dos porquês – Brasil Escola/UOL

A idade dos “porquês” – Sapo Lifestyle



Sobre

Publicitário cearense, 33 anos, casado e pai. Minha maior busca: conhecer sempre mais o quanto sou amado por Deus e dar a Ele uma generosa resposta de gratidão, vivendo as constantes renovações que Ele me concede. | Totus tuus ego sum Mariae et omnia mea tua sunt!


'Santos “Por quês”: leve as crianças à igreja e deixe que elas encham você de perguntas' possui 2 comentários

  1. 5 de maio de 2016 @ 22:51 Alexandre de Queiroz

    Muitas vezes as perguntas não são feitas na intenção de obter respostas, em quase todas elas a criança está fazendo um anúncio de algo que observou. Entendendo isso as coisas ficam mais simples, nem sempre uma “pergunta” precisa necessariamente de uma resposta, muitas vezes um “muito bem meu filho, realmente é isso mesmo…” basta e estimula mais observações, cabe aos pais dar sentido para essas conclusões dos pequenos. “Por que Jesus foi morto?”, “sim, meu filho, ele foi morto, mas essa era a sua missão, foi para nos salvar!”…

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  2. 7 de junho de 2016 @ 17:40 Leonardo

    Bom artigo mas, só para constar, Piaget não é de maneira nenhuma confiável.

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