Terrorismo e Ana Hickmann (ou “Sobre a urgência da Fortaleza”)


Facebooktwittergoogle_pluspinteresttumblrmail

Devemos sempre ler os “sinais dos tempos”. É frequente que nos indignemos com as notícias dos jornais (sem entrar aqui no mérito da qualidade de nossa imprensa), mas, devido a correria do mundo moderno, não é tão comum que meditemos o que os acontecimentos da vida presente têm a nos revelar, o que eles podem nos ensinar.

Ontem a França – outrora a “filha mais velha da Igreja”, posteriormente berço da Revolução que matou tantos – foi tristemente vítima de mais um atentado. Até o momento há cerca de oitenta mortos e duzentos feridos.

A França tem sido palco de sucessivos atentados e não raramente as respostas mundiais se resumem a discursos político-ideológicos: Hollande lamenta as mortes, Obama lamenta as mortes, Merckel lamenta as mortes. Há passeatas. A Torre Eiffel se apaga, em luto. Cria-se uma hashtag. Alguém toca “Imagine” na praça. É evidente que como todos os atendados costumam ser cometidos por muçulmanos, há dezenas de “especialistas” que logo aparecem para culpar a dita “minoria radical”.

Falar em uma reposta firme ao terror e, mais do que isso, apresentar medidas firmes, são vistos como uma espécie de fomento ao ódio e à guerra pelo discurso politicamente correto. E infelizmente,os terroristas contam com isso.

O mundo moderno é um mundo de discurso pacifista – o pacifismo que não é a verdadeira paz. Ele cofunde a proteção do inocente com o incentivo à violência. Em prol de uma suposta “paz”, o bem não combate o mal – pois “combater”, em si, tornou-se mau – e o resultado disso é um grande saldo de vítimas.

O que nos leva a um segundo acontecimento. Essa semana vimos o cunhado de Ana Hickmann se tornar réu por homicídio culposo após ter salvo a vida da cunhada e de sua família de um maníaco armado que invadiu o hotel onde a apresentadora estava hospedada. Gustavo Correa, o herói, confrontou-se com um homem armado e acabou disparando contra ele. O Ministério Público vê nisso uma espécie de abuso ao direito de legítima defesa. Iguala a defesa – feita em segundos tensos onde a vida de seus familiares está em jogo (a esposa de Gustavo foi baleada) – a um assassinato como dolo (onde há intenção de cometer o crime).

A sociedade chegou a um momento onde o homem que protege a família (sem aparentes sinais de sadismo, crueldade ou uso exagerado de força – ele apenas neutralizou um psicopata) sofre sanções. O Islã vê nisso, por sinal, como um dos sintomas da inferioridade ocidental: somos lentos para proteger o inocente quando isso demanda uma atitude forte (e mesmo violenta). É bem ilustrativo que essa seja a sociedade que iguala as atrocidades do Estado Islâmico (que toca fogo em mulheres, defenestra homossexuais e executa bebês) com as Cruzadas – iniciadas para proteger a Europa do expansionismo árabe.

templarO homem é chamado a ser pai. Um dos papéis (outrora) mais evidentes do pai é o de protetor. Ser protetor requer uma resposta firme contra ameaças e o mal. Demanda força – fortaleza, a virtude cardeal que permite ao homem amar aquilo que protege a ponto de mesmo desprezar a própria vida e se sacrificar pelo outro. Não se trata aqui de apologia à violência ou gosto pela agressão (se você se excita com a ideia de machucar, você não é homem e sim uma besta e possivelmente precisa de tratamento psicológico). Chesterton explica claramente o espírito que deve animar o homem virtuoso: “O verdadeiro soldado não luta porque odeia o que está à sua frente, mas porque ama o que está atrás”.

É urgente um resgate da identidade do homem que protege a honra de sua mulher, a integridade de seus filhos, protege seu lar. Se a sociedade esqueceu que um grande mal precisa ser combatido com firmeza – porque afinal, ele ameaça um grande bem – que um punhado de homens valorosos, inseridos nessa sociedade, resgate isso.

Não se trata aqui de um discurso de ódio. É muito mais um discurso de amor: amor à família, aos concidadãos, amor à própria sociedade, ao seu lar e aos nobres ideais. Esse amor impele o homem a lutar. O mundo moderno é um mundo que perdeu o amor a si mesmo quando aboliu Deus, e já não é mais capaz de se opor ao mal.

Oremos pela conversão da França, da Europa, de todo o mundo. E que Santa Joana D’Arc, padroeira da França e valorosa guerreira de Deus, interceda diante do Senhor para que surjam os homens fortes que respondam firmemente às crises de nossos tempos.


Sobre

Carioca, 24 anos, social media, redator e aspirante a congregado mariano. Em tudo: "Ite ad Ioseph"


'Terrorismo e Ana Hickmann (ou “Sobre a urgência da Fortaleza”)' possui 2 comentários

  1. 19 de agosto de 2016 @ 21:40 jose nilto

    Realmente muito bom.

    Responder

    • 2 de dezembro de 2016 @ 12:09 Sival Junior

      Parabéns pelo texto. Concordo plenamente com a ideia de resgatar a figura do homem protetor da sua família.

      Responder


Gostaria de compartilhar seus pensamentos?

Seu endereço de email não será publicado.

"Um varão católico não pode esquecer esta ideia-mestra: imitar Jesus Cristo, em todos os ambientes, sem repelir ninguém."

Homem Catolico

Confortare et Esto Vir.